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AULA DE LATIM-PARTE II



					    
1-A SÉRIO --- As palavras em LATIM não têm forma única e sofrem alterações (desinências ou morfemas) de acordo com as funções sintáticas na frase. Declinação /5 em latim, 6 casos básicos cada uma: nominativo, vocativo, acusativo, genitivo, dativo e ablativo/ é um tipo de flexão que palavras das classes variáveis – substantivo, adjetivo, pronome e numeral (artigo inexistia no LATIM) – sofrem em virtude da função sintática que exercem: sujeito, aposto, vocativo, objeto direto, alguns adjuntos etc. /// A palavra ‘ROSA’, por exemplo, é da primeira declinação, apresentada em dicionário da seguinte forma: --- radical ‘ros–‘ - nominativo singular ‘rosa’ (tradução – rosa) - genitivo singular rosae (tradução –‘ da rosa’) /// As orações latinas são estruturadas de diversas formas, aparentemente “embaralhadas” – exemplo: “Philosophum non facit barba” (como um descuidado traduziria: “O filósofo não faz a barba.”) - tradução (correta): “A barba não faz o filósofo”. (Diferentemente, em português a estrutura geral das orações é em ordem direta: sujeito-verbo-objeto. 2-BRINCANDO --- Conto “ROSA, ROSA, ROSAE”, de ROBERTO DRUMMOND, 1975 Resumo da narrativa: Na sala de aula, melhor atitude para o professor, encantado com Rosa, é fazer de conta que ela ‘não’ estava também colando em dia de prova........ --- “Rosa, Rosa, Rosae as pernas morenas cruzou (...) a saia azul puxou (...) até as moscas estremecorum.” --- “a saia azul abaixorum, e a prova, prova, provae perfumada de latim entregorum (...) as moscas moscae em borboletas borboletae cotovias cotoviae se transformorum e pra longebus voorum, cantavam aleluia, aleluiae.” a---“Pathos” (acontecimento que excita a piedade ou a tristeza – dicionário do AURÉLIO) da situação e do personagem: o amor impossível do professor José Evangelista, especializado em LATIM, por sua aluna Rosa; desejo erótico nunca realizado (fuga lírica) --- mergulho nas pernas morenas da esguia aluna jovem --- “Bela Aluna Rosa a ninguém amorum, nem flertorum” --- “verdes olhos verdorum, tristes tristorum”. b--O AUTOR DO CONTO recria as lembranças, a partir do plano da expressão, realizando uma espécie de ‘aspecto’ de brincadeira com a linguagem: divertimento, ou melhor, jogo que o texto representa: esse fato aparentemente gratuito assume conotações importantíssimas no contexto porque o AUTOR se vale do próprio instrumento do professor, a língua latina, para satirizá-lo --- “a aula de latinorum só as moscas voorum, ninguém piorum.” --- “onde o Prof. Evangelista idibus as moscas atrás voorum, zumbidorum, desrespeitorum, querendo entrar no nariz, na boca, na bocae, bocurum do prof. (...) as moscas abanorum, prudens, prudens, prudentis (...¬) no receio, longe do lobisomurum, gritava, qui quae quod com as moscas ninguém pode.” c---Na segunda declinação, a desinência no plural do genitivo é –orum: nominativo singular ‘mundus’ (trad. ‘mundo) - genitivo plural (radical + desinência) ‘mundorum’ (trad. – ‘dos mundos’) // no conto, efeito produzido pela repetição constante do genitivo latino “–orum” que parece um tambor batendo sempre no mesmo ritmo e sugere a presença ridícula do professor de LATIM. d---Estilo de linguagem “diferente” --- paródia do código lingüístico – gracejo, idioma de fantasia, invenção --- repetição dos substantivos principais do texto - todos eles agrupam-se produzindo o mesmo resultado. Tipo da literatura com uma forma revolucionária: a---Relação entre a narrativa e a ilustração /no livro de contos “A MORTE DE D. J. EM PARIS”/: professor com olhos de lobisomem, uma publicação literária aberta – primeira capa, “Divina Comédia” literatura latina; quarta capa, pernas de mulher – ele, professor de LATIM, com pensamentos eróticos (balão da HQ, ela nua) --- “morena perna perna pernae morenae olhorum”. b---Paródia incorporada na própria estruturação da narrativa, satirizando a um certo tipo de professor e ensino arcaicos --- efeito cômico e crítico da forma comum de linguagem social; após a leitura atenta, podemos construir em caricatura o perfil psicológico do professor de LATIM: lúgubre, severo, sarcástico, temido pelos alunos, frustrado sexualmente --- “Só de entrar na sala, (...) todos tremorum, aos alunos fuzilorum com se olhar de lobisomorum e tods tremiam peronia século seculorum.” --- “12 anos passorum na soli, solidão, solidorum do seminário. Nunca ridibus, semper serius (...) camisa encardido, escardidae (...) olheiras cor de uma sexta-feira da Paixorum.” (Também caricatura e sátira em SATYRICON, autor PETRÔNIO, novela clássica da literatura latina, cap. “A ceia de Trimalcião”, personagem liberto novo rico, primeiras décadas do século I d. C. – filme surrealista iitaliano de FEDERICO FELLINI, 1969.) c---Carnavalização da linguagem: humor e ironia, componentes intrínsecos da carnavalização, entendida como paródia --- aplicação brincalhona do latim no português --- mistura de idiomas, algo semelhante a uma festa carnavalesca, pelo colorido e multiplicidade de idiomas --- cultura urbana e de massa, diretamente veiculada pelos meios de comunicação, como nome de personalidade e artista de cinema: “o Professor José Evangelistorum, como um Joe Louisorum, a mesa, mesa, mesae nocauteorum.” --- “a prova tomou, deu zero zerorum para Amélia ficabus vermelha vermelhae como Ingrid Bergman em tecnicolor tecnicoloribus”. Criação literária: Ruptura com os valores e os padrões estabelecidos no cotidiano --- o AUTOR desmascara a linguagem em geral e os valores eternos que ela “poderia” representar, transmitir ---originalidade da linguagem literária – aproveitamento novo e inesperado de uma linguagem pré-existente – o falado idioma latino --- logo, função própria da LITERATURA – poética. F I M
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Comentários dos leitores

Beleza! Professor antigo (conto tem décadas), mas sempre atual (seduzido, nunca percebe nada ao dia de prova) - um bobão! Parabéns!

Postado por lucia maria em 27-06-2016

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