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A ILUSTRE CASA DE RAMIRES



					    
/Transcrição de um velho caderno universitário./ Desdobramento do romance realista, de EÇA DE QUEIROZ - 1900, em ação dupla - narrativa se biparte: EIXO PASSADO - IDEAL - Plano histórico dos gloriosos antepassados RAMIRES - IDADE MÉDIA, FICÇÃO 1 / Protagonista TRUTESINDO Ramires. Gonçalo, narrador menor, dentro da narrativa maior “Ilustre casa de Ramires”, escreve o episódio medieval do avoengo Trutesindo, dos tempos antigos de D. Afonso II e D. Sancho I: A HONRA ACIMA DE TUDO. EIXO PRESENTE - REAL - Plano da atualidade de GONÇALO Mendes Ramires - SÉCULO XIX, FICÇÃO 2 / Protagonista GONÇALO. Narrador maior em “ICR” conta a vida de Gonçalo, o Fidalgo da Torre, decadente mas tradicional, na velha aldeia portuguesa de Treixedo. A casa é se chama Santa Ireneia: CONTESTAÇÃO DA HONRA. OPOSIÇÃO entre TRUTESINDO e GONÇALO. FAMÍLIA RAMIRES - Fidalguia mais velha que Casa Real, surgida antes do próprio nacionalismo português; mais fidalgo que o próprio rei, assim é GMR: “Gonçalo era certamente o mais genuíno e antigo Fidalgo de Portugal...mais antigo que o Condado Portucalense...o solar de Santa Ireneia.” - a seguir, longa citação positiva dos bravos Ramires. Mas há também os Ramires negativos: “Já porém, como a nação, degenera a pobre raça...” E outra longa citação, agora dos Ramires menos ilustres, quase perniciosos à grande honra antes demonstrada. Um Ramires é que tem o direito de dar títulos de nobreza ao rei. “...estabelecidos com solar em Santa Ireneia...há quase mil anos!...casa anterior à monarquia...” -“Ainda não havia reis em Portugal, nem sequer Portugal, e já meus avós Ramires tinham solar em Freixedo!...tenho imenso gosto em o fazer, a ele, el-rei, marquês do Roncão.” Uma verdade sob a forma de gracejo ou um gracejo que vale por uma verdade. NOVELA HISTÓRICA - Gonçalo atende amigo que lhe sugere escrever novela dos antepassados gloriosos: ”...Castanheira ardia...a ressurreição do sentimento português!...suplicou a Gonçalo que lhe cedesse para os Anais...romance sobre o avoengo Ramires, alferes-mor de Sancho I...É um dever colaborar...Portugal morre por falta de sentimento nacional!...vocês são uma enfiada de Ramires de toda a beleza...E tudo na mesma torre! Na torre o velho Trutesindo pratica o feito; e setecentos anos depois o nosso Gonçalo o conta!” NARRADOR DA NOVELA será GONÇALO, herói problemático e complexo. Sonhos de intelectualidade, estréia foi com: “...tiras de papel intituladas D. GUIOMAR...velhíssima história da castelã...E no final choroso...brotaram rente às duas sepulturas duas roseiras brancas.../=Tristão-Isolda e outros romances de amor da mesma época/...estilo terso, másculo, de boa cor arcaica... D. GUIOMAR encheu três páginas da PÁTRIA...” - - - - - Na Sociedade Medieval cantada pelo ROMANTISMO (e que Ramires revive nesta volta aos tempos antigos), tema amoroso contra ‘status quo’ (o estabelecido). 1-PURA FICÇÃO - D. GUIOMAR. Segundo costume da época, o mais provável seria casamento sem amor, entre uma jovem e um velho. Exaltação positiva do par amoroso, negativa ao marido: ela, “vaga castelã da Bretanha ou da Aquitânia” + “pagem de cabelos anelados”, moço. LOCAL - “solar de Ribacoa, nomes com delicioso sabor godo...já transparecem bons portugueses de fibra e de alma...” IMPEDIMENTO - marido “castelão barbudo”, que “volta (da guerra), mais barbudo, com um bordão de romeiro” - velho. Eterno triângulo amoroso: ela, “braços nus, por noite de Maio e da lua” (cenário de amor) + pagem, “anelados cabelos”. Espião os denuncia - “vílico do castelo, homem espreitador de poucos sorrisos”. PUNIÇÃO PELO AMOR PECAMINOSO - morte de ambos, “...ai do pajem! ai da dama!” - dois insubordinados colocando em terra as regras daquela sociedade. MITO DO AMOR-ETERNO - enterrados em sepulturas diferentes, nasce de cada sepulcro uma roseira branca, “a que o vento enlaçava os aromas e as rosas”...”final choroso...como em todas essas histórias do Romanceiro de Amor”. Amor é mais forte que a morte física, entrelaçamento das duas roseiras: amor eterno! 2-VIDA REAL dos antepassados Ramires - segunda obra dele, A TORRE DE RAMIRES - ‘status quo’, “...velhíssimas brigas de terra e procedências...ódio secular entre as duas famílias...” Quanto ao tema amoroso, desenvolvimento da novela anterior, agora com maior sabor português, par amoroso Violante, “donzela esplêndida” + Lopo, “beleza loira de fidalgo godo era tão celebrada...moço resplandecente cor de ouro...arremessara o rojão contra os touros, ganhara duas faixas bordadas...dançara com tão requintado garbo...bravur... formosa...barbas douradas...o solar de Barão se honra em Lopo...pelo lustre da sua bravura e graça galante...” - galante, valente, corajoso, lutador, cavaleiro também. O ideal do cavaleiro medieval: por que impedi-los? IMPEDIMENTO - o pai “recusara com áspera arrogância a mão de D. Violante”. VINGANÇA DE LOPO - “Este ultraje revoltara o solar de Baião...Lopo tentou raptar D.Violante”, mas não conseguiu, desarmado e humilhado por parente da moça, novamente humilhado e aí mata Lourenço. Lopo, bons sentimentos, “murmurava, comovido: - Ah, Lourenço...grande dor, que bem poderíamos ser irmãos e amigos...desabafo...mágoa do amor vedado...” REVIRAVOLTA - punição não pelo amor, mas pelo crime de morte (diferente da novela anterior), Lopo também morto após severa tortura. Moça não mais citada na estória - convento? Situação passa de plano amoroso a plano agressivo. Lopo - “Já na mão lhe lampejava um punhal...Mas, num ímpeto de sublime orgulho, um ímpeto sobre-humano, em que cresceu como outra escura torre da Honra, Trutesindo arrancara a espada...Para que seja puro, vil como o teu, o ferro...” Lopo sempre é humilhado e afrontado pelo “honroso” Trutesindo Ramires. Lourenço, machucado, desarmado, sobre as andas. Mas o orgulho acima de tudo: “- Não, meu pai!” - - - - - Voltando... Promessa aos amigos: “...anunciara com simplicidade um romance em dois volumes...rude feito de sublime orgulho de Trutesindo Mendes Ramires...” CONFECÇÃO DA NOVELA HISTÓRICA - Gonçalo narra o feito de Trutesindo. --- O último varão descendente dos gloriosos RAMIRES, trazendo em si dualidades e tremendos contrastes com os antepassados, irá contar a ilustre aventura de TRUTESINDO. Na narrativa maior, romance A ILUSTRE CASA DE RAMIRES, a cada passos irão se opondo: FICÇÃO 1 - A cada ato heróico do antepassado Trutesindo (Ramires medievais mostrados valentes, nobres, vigorosos)... FICCÇÃO 2 - ...aparece uma covardia ou atitude fraca de Gonçalo (sem vontade própria). IDADE MÉDIA - apresentada como viril e gloriosa, a mesmo tempo cruel, violenta. Orgulho e fibra dos heróis Ramires e aparentados, decência e bom caráter. Inimigo também corajoso na luta. MATERIAL DE TRABALHO DE GONÇALO - “...rijos volumes de História Genealógica, todo o vocabulário de Bluteau, tomos soltos do Panorama, obras de Walter Scott...” Ainda poema do tio materno, Duarte. PRODUÇÃO - uma novela literária romântica, retornando aos tempos antigos, inclusive usando o mesmo vocabulário da época (como GARRET e HERCULANO) - “...os armeiros aguaçavam escumas...transpunha ligeiramente a levadiça da corcova...os atambores beguinos...” - “desafivelavam os sorriões...que à orla da chã...cerros de urze e rocha...o Adail galopou até ao velado...todos sem lança ou broquel, descalçados os guantes...por um fundo gilvaz que se sumia...decepados a machete pelos barbudos estafeiros...desatavam a cervilheira, o saio, as grevas...cordas de cânane...com um longo calabre...enfermos de alforreimas...” NOVELA HISTÓRICA DENTRO DO ROMANCE DE EÇA mostra contraste entre Trutesindo e Gonçalo. Quanto ao autor, sob a pena de Gonçalo, não pastiche ou caricatura nem intenção negativa e sim realmente uma amostra literária do ROMANTISMO. Crítica, talvez, mas em boa composição. ICR - novela histórica da Idade Média (supremacia da nobreza) + Portugal século XIX (nobreza decadente). Tentativa de mirar-se no espelho do passado, vendo bons exemplos, tomando firme propósito no presente e para o futuro: romance de fidalguia. Casa dos Ramires fundada antes da nação portuguesa, mais velha que Portugal. EIXO - passado / presente. NOVELA - cantar o passado, que o presente precisa imitar e glorificar. PROTAGONISTAS - contraste: NOVELA, Trutesindo X ILUSTRE CASA DE RAMIRES, Gonçalo TRUTESINDO - velho, alma bárbara, exemplo de honra e fidelidade à palavra dada, vontade indomável, retilíneo e inabalável em sua vontade X GONÇALO - moço, alma sem bravura, covarde, fraco, sem ânimo, dominado por todos, ironizado pelos subalternos, pusilânime. FADO DOS RAMIRES - “...verdadeiramente sublime ao violão, o Videirinha...um rapaz muito meu amigo...Agora tem ele uma cantiga admirável que chamou o Fado dos Ramires. A música é com efeito um fado de Coimbra, um fado conhecido (um decalque, a adaptação musical)...mas os versos são dele, sobre coisas da minha Casa, lendas, patranhas...” “Quem te v’rá sem que estremeça, Torre de Santa Ireneia...Ai! Assim calada, tão negra, Torre de Santa Ireneia...Torre mais velha que o Reino...Velha casa de Ramires, honra a flor de Portugal!” “...o Fado que o Videirinha desde meses apurava e completava, ajudado na terna tarefa pelo padre Zoeiro, capelão e arquivista da Torre.” (como os velhos cronistas e arquivistas da Torre do Tombo) - “O fado está fundado em documentos históricos autênticos que o velho padre Zoeiro estudou...recheio histórico...além disso, a história antigamente era perpetuada em verso e cantada ao som da lira...” Mesmo escrevendo o feito de um Ramires, Gonçalo continua alheio à lição secular de bravura e heroísmo; não conhece os documentos do Arquivo; o que sabe da família, vem através dos versos do amigo violeiro, com apelo no padre erudito: Videirinha, um trovador medieval. VERSO - também Gonçalo é cantado heroicamente em verso: “Os Ramires doutras eras venciam com grandes lanças...Este verso com um chicote...E este a tem (a força) no coração.” --- “...os amigos romperam em vivas a Gonçalo, à casa de Ramires...o Fidalgo, comovido, pensava: - esta gente parece gostar de mim!” PARTE II GONÇALO --- FALTA À PALAVRA DADA - “...apareceu um lavrador dos Bravais, o Casco, respeitado em toda a freguesia pela sua seriedade, propondo arrendar...a eira e as hortas...o homem aceitou os novecentos e cinqüenta mil-réis...o Fidalgo apertou a mão do lavrador...- Estou estúpido!...aquele animal do Casco, toda a manhã!...” --- “Você queria arrendar a Torre, Pereira?...Mas eu já tratei com o Casco...veio, conversamos...Aperto de mão, copo de vinho...Não o avistei mais...Para resumir, não tenho com o Casco contrato firme!...O Pereira coçava o queixo, desconfiado...gostava de lisura...não se lavrara escritura, bem!...Oferecia ao Fidalgo um conto cento e cinqüenta mil-réis...Gonçalo pestanejou nervosa e tremulamente...no sábado, em Oliveira, a escritura...” COVARDIA E MEDO - ”...reconheceu o Casco... - ...falei sempre claro...não era para que depois o fidalgo me faltasse à palavra!...Se houvesse papel assinado...Mas era como se não houvesse, para gente de bem!...A mim não se me fazem dessas desfeitas...o Casco cresceu todo...num furor que lhe esbugalhava os olhos esbraseados...Erguera o cajado... - Fuja, Fidalgo, que o mato e me perco!” FUGA E MENTIRA - “Gonçalo correu...pulou...enfiou pela latada...numa carreira furiosa de lebre acossada!...Nesse esconderijo se alapou, arquejando...um bêbedo...veio para mim com uma foice!...a Rosa, aterrada, se benzia...” (e querendo agradar) “ - Ó Rosa, dê a estes rapazes, para a ceia, mais uma caneca de vinho...” ALMA COM BRAVURA (só vontade de ser bravo) - “...todo o seu ser se desesperava contra aquele desgraçado medo...à sua alma não faltava arrojo!...o traiçoeiro corpo, num arrepio...a alma esbravejava!...invejando a afoiteza dos seus moços da quinta...” OCIOSO - “...sua preguiça...Para se ocupar...retomou a sua novela...Mas a ociosidade mais lhe pesou nessa semana...” AMBIÇÃO DE FAMA E PRESTÍGIO (quer ser deputado) - “Esse Lucena é um idiota!...Antes ele me cedesse a cadeira (do deputado), a mim...vocatura política (por causa da morte de Lucena)...Ó Gonçalo...uma ocasião soberba!...O Fidalgo estacara - como se uma estrela de repente se despenhasse na rua mal alumiada.” PROCURA INIMIGO PELA VONTADE DE SER DEPUTADO - “...na realidade, também conservo a antiga simpatia pelo Cavaleiro...questões íntimas, envelheceram, caduraram...estou ponto à reconciliação...um pretexto de falar com André...a aventura do Casco...” TRAI O COMPROMISSO ANTERIOR (por um mesquinho acréscimo de renda: fome de dinheiro!) - “...concluí um negócio esplêndido...Arrendei a quinta ao Pereira...” MESCLA DE OPOSIÇÕES - por vezes, age com intenção de simples popularidade, ao mesmo tempo ou alternadamente bondoso com subalternos: “À maneira antiga o Fidalgo apertou a mão do lavrador” (imitando os avoengos)... - É o Pereira...lá em baixo...Gonçalo franziu a testa com impaciência... - Que maçada! (Quase um refrão!) ...Era um lavrador...dispunha de sessenta votos na freguesia. - Ah!...põe outro talher...Você não almoça, Pereira?...Mas então ao menos um copo de vinho verde.” --- “Na estrada...como desamparado...um homem de jaqueta ao ombro, que se arrastava penosamente, coxeando... - Que foi?...Vossemecê que tem?...Gonçalo salta da eguazita e faz com que o homem aceite o animal.” --- Inversão do código social: lavrador de enxada, na égua do Fidalgo X bacharel por Coimbra, a pé pela estrada. EFEITO - assombro do deputado Sanches de Lucena: “ - Ora, uma coisa destas!...É a repetição do bom Samaritano...Mas para melhor!” (Fato comentado na vila.) DOAÇÃO DE ALIMENTOS (porque ele só quer chá) - “ - Olha, ó Rosa, que a pequena, coitada, leve a galinha...E o caldo...Mande dois mil-réis...mas não assim secamente...lá passarei para saber.” CONTRA-ORDEM (um cavaleiro medieval nunca voltava atrás em suas idéias) - “...a mulher do Casco a levantar uma celeuma...Gonçalo murmurou “que maçada!” E que contrariedade! Atirou a pena furiosamente...sensibilizado... - Bem, diz à mulher que já desço...ideia de meter na algibeira do roupão duas notas de dez tostões...recuou, vexado...duas criancinhas - a quem ele arrancara o pai, algemado, para o trancar numa enxovia!...Já o vão soltar!...Já dei ordem! - Mas esta criança tem febre!...o Manuel fica cá...a minha capa de borracha, a nova...estofo rico...” POPULARIDADE (ele conclui acertadamente, mais tarde) - “Ah! como era fácil ser rei - e popular! Quem não impediria...sua vida!” O MOSTRAR-SE POPULAR (de olho na situação política) - “Gonçalo abraçou o esperto lavrador...na tasca, um rancho de trabalhadores bebia...o Fidalgo bebeu com eles, galhofando, gozando a pinga e o barulho... (e surge no local o assunto da eguazita)...o Fidalgo empregou essa semana de visita aos eleitores, graúdos e miúdos...” DESPREZO AOS ANTEPASSADOS - “...um dos nossos antepassados, um D. Menda, que eu nem sei se realmente existiu...Está claro que sou aristocrata...nasci de meu pai Vicente, que nasceu de seu pai Damião, e sempre assim até não sei que rei suevo...mas o sangue de todos esses pais não difere, realmente, do sangue dos pais de Joaquim da Porta...E gracejou, afavelmente...antepassados...punhados de cinza vã!...poeira tristonha guardada dentro duma pia de pedra...subterrâneo entulhado...Enfim! Deus louvado! eis finda uma eterna Torre de Ramires! Quatro penosos meses desde Junho, trabalhara na sombria ressurreição de seus avós bárbaros...remoto mundo afonsino, tão bestial, tão desumano!” DETESTA VIOLÊNCIAS (contrariando idealismo da antiguidade) - “...não quero que se prenda o homem! Foi atrevido, apanhou uma dose tremenda, estamos quites...Detesto vinganças. Não estão nos meus hábitos, nem nos hábitos da minha família...Nunca houve um Ramires que se vingasse...Quero dizer, sim, houve mas...basta ao homem ficar enfeado. Não consinto que o apoquentem mais!...Detesto ferocidades!” NÃO VALORIZA O ANTIGO - não segue tradições, não cultua os mortos - “...acolá é sítio seu, Sr. Gonçalo... - Meu?... (nem sabe as terras que possui)...túmulos dos seus antepassados...É de comover!...muito filial, muito bonito...sempre aquela lâmpada de bronze nossa, de noite e de dia...Gonçalo engrolou um murmúrio risonho - porque não se recordava da espada, nunca recomendara a lâmpada...” - “Bento, não encontraste na sala um frasco de vidro com um pó branco...em cima do baú vermelho, um frasco embrulhado num pergaminho antigo como os do Arquivo ...um pergaminho perfeitamente inútil! Vá buscar o rolo...Mas tem cuidado com o frasco!...um rolo de pergaminho, de onde pendia, por fitas ruídas, um selo de chumbo...do tempo de D. Sebastião...ano de mil quinhentos e setenta e sete...vésperas da jornada de África...Enfim! Serviu para embrulhar o frasco...!” CASUALMENTE HERÓI “VALENTÃO” (e um bocado sádico) - “um latagão de suíças louras...o caçador que o injuriara...o assobiara...sentiu a palidez que o cobria...tumulto confuso, que era de medo e de raiva...Uma névoa turvou os olhos esgazeados do Fidalgo...num inconsciente arranque...o cajado surrilhara!...ver setada do chicote silvestre do cavalo-marinho, olhando o latagão na face...o corpo jazeu mole...o outro rapaz...o Fidalgo o alcançou com uma cutilada no pescoço...uma alegria brutal...e gozava soberbamente aquelas calosas mãos (do velho) que se erguiam para a sua misericórdia...sorriu, recordando “traços de guerra”...o velho começou a avançar pela estrada, como um cativo...” POR FORÇA DE INTERESSE (o reatar amizade) - “A casa do Cavaleiro em Corinde era uma edificação...Gonçalo reconheceu um dos painéis que ele uma tarde rasgara jogando o espadão com André...generoso abraço de parabéns...Gonçalo corria do canto do divã onde se acomodara... - E então, Andrezinho, tudo arranjado, hem? - Nós estamos bem aliados, bem congraçados, não é verdade?...desçamos ao jardim...seu recuperado Gonçalo... - E agora entra tu, pela porta que eu te abro!... - Eu desejo entrar, e ardentemente, bem sabes...O Cavaleiro colheu para Gonçalo uma “rosa triunfal” e para si um “botão inocente”...é o começo da campanha. NÃO REAGE (à corte de André a senhora Barrolo) - “...Gonçalo suspeita, fareja, uma incomparável infâmia! André recomeçara a cortejar Gracinha, de longe, mudamente, em olhadelas fundas, carregadas de saudade e langor...como amante aquela grande fidalga...avançando para Gracinha, com um modo meio grave e meio folgazão...Oferecia, abria os braços...Gracinha, toda escarlate, cedeu...a valsa se desenrolou...força máscula do Cavaleiro...Gracinha com tanto abandono,,,” TRUTESINDO --- EXEMPLO DE HONRA (e fidelidade à palavra dada) - “...o senhor D. Sancho suplicara a Trutesindo...socorrer as Damas oprimidas (Infantes Tereza e Sancha)...De mal ficarei com o Reino e com o rei, mas de bem com a honra e comigo”. VALENTIA E CORAGEM (de real servidor, cavaleiro medieval) - “...logo de madrugada, o pendão dos Ramires se plantara diante das barreiras gateadas...se apressavam os serviçais...os atambores mouriscos, abafados no arvoredo, rataplã!...convocavam os cavaleiros de soldo e a peonagem da masnada dos Ramires...” O CAVALEIRO MEDIEVAL LUTANDO POR UMA DAMA - “De resto, que injúria fizera às senhoras infantas seu real irmão...? Nenhuma! Nem regedoria nem rendas dos castelos e vilas da doação lhes negava o senhor D. Afonso...donas rebeldes!” (Mesmo assim, Trutesindo ajudava, como jurara ao velho rei.) CORAGEM (de enfrentar qualquer inimigo) - “...levar o meu sangue e dos meus pais para que justiça logre, quem justiça tem...vos espera o Bastardo, para vos tolher a passagem com cem lanças!...Trutesindo, no empenho de aprestar a sua mesnada e abalar sobre Montemor, regera já com o Adail a ordem de arrancada...ainda na emoção de tão amarga nova, a derrota de Lourenço...” HONRA ACIMA DE TUDO (nunca desfazer uma inimizade) - “Lopo de Baião...beleza loura de fidalgo godo...amara arrebatadamente D. Violante, a filha mais nova de Trutesindo...conhecera ele a donzela esplêndida...E ela, certamente, também rendera o coração àquele moço resplandecente da cor de ouro...mas Lopo era bastardo, dessa raça de Baião, inimiga dos Ramires por velhíssimas brigas de terras (até a inimizade precisa ser resguardada tradicionalmente)...fiel ao ódio secular, Trutesindo recusara com áspera arrogância a mão de Violante...o solar de Baião se honrava em Lopo, apesar de bastardo, pelo lustre da sua bravura e graça galante...E então Lopo tentou raptar D. Violante.” UM NOBRE ANTIGO (às vezes perdoa e não mata, mas humilha) - “...um primo de D. Violante...no começo da curta briga...o desarmou...e manteve (a Lopo) um momento ajoelhado sob o lampejo e gume da sua adaga...com vida perdoada, rugindo de raiva surda, o Bastardo abalou...nesta afeita arremetida.” UM RAMIRES DOS VELHOS TEMPOS (sempre terrível na vingança) - “Era enfim a madrugada vingadora... não se cuidava de combater um inimigo, mas de colher um matador...um rolo de peões, em dura grita, como mastins sobre um cerdo, arrasta o Bastardo...lhe quebram os fechos do elmo, para lhe cuspirem...tanto orgulho!” CONSELHO DE GUERRA (vingança quase diabólica) - “...sob a ramagem dum velho azinheiro...decidiam que morte lenta, e bem dorida e viltosa, se daria ao Bastardo, vilão de tão negra vilta...despacho mais curto, e também gostoso...Que se estendesse o Bastardo amarrado sobre uma trave...um cavalariço lhe chamuscasse as barbas...outro o sangrasse no pescoço...Temos melhor...no Pego das Bichas...” VINGANÇA BEM PLANEJADA (não casual castigo - outro planeja, mas Trutesindo concorda) - “Senhores e amigos!...Confiai em mim, Trutesindo!...eu arranjarei ao Bastardo tão vil e tal morte, que de outra igual se não possa contar desde que Portugal foi condado...um lugar de eterno silêncio e de negra tristeza..negrejava o Pego, lagoa estreita, lisa, duramente negra...que descessem o Bastardo...todo nu...chupado em vida, e devagar, pelas grandes sanguessugas que enchem toda essa água negra! E Trutesindo, radiante, bradava... - Aviai,aviai!’ (O ato não é covarde, porque se vinga a morte de Lourenço.) “- Olhai nosso primo Ramires! Formosos tratos presenciou...E como goza! tão atento! tão maravilhado!...o velho Ramires não despregou os olhos do corpo do Bastardo, que deleite bravio...Nunca ele esperara vingança tão magnífica...E a fera alma do velho acompanhava, com inexorável gozo...aquele dever de acompanhar, sem que lhe escapasse um arrepio, um gemido, a agonia do Bastardo.” SATISFAÇÃO PELA VINGANÇA CRUEL (exaltação da família) - “- E assim morra de morte infame quem traiçoeiramente me afronta a mim e aos da minha raça!” LOURENÇO (filho de Trutesindo) --- BRAVURA MEDIEVAL (luta tremenda e desigual) - “Lourenço...corria entre Montemor, em socorro das senhoras infantas...ao penetrar no vale...às vistas a masnada de Lopo, esperando desde alva, para tolher a passagem...Lourenço sofreou, susteve a leva...E em que desigualado encontro!...zuem os garruchões, as rudes balas de barro, despedidas das fundas...clamores de excitada ufante...fendera a perna de onde mais sangue brotava...um calhau agudo lhe tolheu o braço...pois cativo Lourenço Ramires.” DEFENSOR DO ÓDIO ANTIGO (também como o pai, senhor da honra e da palavra dada - valente mesmo prisioneiro) - “O arauto de Baião...curto recado...Lourenço diante das barreiras da Honra, deitado sobre umas andas!...Claro Sol, vergando o capelo de europel, saudou... - Toda a nobre raça de Baião se honra em mim... Consenti em me dar a mão de vossa filha...um desesperado brado partiu dos andas: - Não, meu pai!... - Meu filho, antes de mim, te respondeu, vilão!” LOPO (inimigo) --- MOSTRADO COVARDE (que ataca um homem desarmado e indefeso: Lopo desesperado é uma suavização do comportamento) - “...se me não dás neste instante essa mulher que eu quero e que me quer, sem filho ficas...lhe acabo o resto da vida!...o Bastardo enterrara o punhal na garganta de Lourenço...Depois foi uma bruta abalada.” FINAL OPOSIÇÕES CAMINHANDO EM PARALELO FICÇÃO 1 - a-Juramento do cavaleiro Trutesindo ao rei, de defender as damas; b-Lourenço luta valentemente, mas é aprisionado pelo Baião; c-Trutesindo vê chegar, a contragosto, gente do Baião; d-Lourenço não concede a mão da irmã Violante e morre sob a arma do Bastardo; e-Trutesindo procura o Bastardo, a fim de caçá-lo e vingar-se; f- tecem-se planos de vingança contra o assassino de Lourenço; g-Bastardo é agarrado e morto cruelmente. FICÇÃO 2 - a-Quebra da palavra com o Casco, a favor do Pereira; b-Gonçalo foge do valente lavrador Casco; c-a pretexto de falar com o Casco, procura André para que o auxilie no problema político; d-surpreende cena amorosa entre a irmã e André, fugindo a seguir, envergonhado; e-depende de André e está impedido de qualquer gesto rude; f-num inconsciente arranque, chicoteia o valentão Ernesto, que antes já o desafiara duas vezes; g-recebe louvores pelo feito de bravura. CENA DA MORTE DO BASTARDO (descrita com minúcias, requintes de tortura, mas Gonçalo não encontra prazer em sua obra) - “...uma aversão por aquele remoto mundo afonsino, tão bestial, tão desumano.’ Em verdade, o ódio de “velhíssima briga de terras...ódio secular”. Não havia, no tempo de Trutesindo, razão para tantas perseguições, recusa de casamento, vinganças, mas lutava-se pela tradição do próprio ódio. GONÇALO MENDES RAMIRES, O NOVO GONÇALO EPÍTETOS no desenrolar de todo o processo: Gonçalinho, Fidalgo da Torre, Gonçalão, Gonçalíssimo etc. “GMR, silenciosamente, quase misteriosamente, arranjara...para a África.” A partir daí, ele realmente se assume como GONÇALO MENDES RAMIRES - não mais epítetos, somente será chamado de Gonçalo daí por diante. REMEMORA NAMORO (de Gracinha e André) - “Gracinha desabrochava na flor dos seus dezesseis anos...André, a sua cabeleira romântica...recitar...soberania do amor..moço bem-nascido...brasão legítimo...Marte cheio de força, amando Psiquê cheia de graça...”lindo par!”...voltou para Lisboa...se portando muito mal com a Gracinha...longa viagem...mas uma carta...lágrimas de Gracinha.” VERDADE ANGUSTIANTE (a desonra da irmã) - “O palacete repousava no claro silêncio...Gonçalo decidiu descer pelo terraço do jardim...surpreender Gracinha nas suas devoções...na água muito transparente...nadavam com redobrada vivacidade os peixes...templozinho grego, cor-de-rosa desbotada, com um gordo cupido...escada de pedra...dentro do mirante um sussurro, um cochicho perturbado...outra idéia o varou como uma espada...recuou com terror da beira do mirante...pancadas do seu coração... “- Não, não, que loucura!” - “- Sim, sim, sim, meu amor!”...imensa vergonha...Abalou através das salas desertas..correu, mandou engatar uma caleche fechada...montão ignorado de lixo e de saias sujas!” GONÇALO COVARDE (o próprio se assume: autocrítica) - “O Barrolo, coitado, era o Bacoco...irremediavelmente ocupado...o malandro da grenha ondeada...um egoísmo atrevido, só punível como se puniam os antigos Ramires, com a morte...Ah, como o avô Trutesindo trataria vilão de tal vilania!...ele, neto de Trutesindo, nem sequer podia carregar o chapéu e passar...A menor diminuição nessa intimidade...seria como arevelação de torpeza.” - “...remoeu a amarga certeza...não cessara de padecer humilhações...dor, vergonha ou perda!...a irmã logo se abandona ao antigo enganador, sem luta, na primeira tarde...sombra favorável dum caramanchão... - Pobre de mim!...Como a flor murchara! Que mesquinha honra!...Seu pai ainda fora o bom Ramires destemido...Mas ele...nascera com a falha, a falha de pior desdouro...Fraqueza da carne...recuar, fugir...vergonha na cara, tão espantadiça!” NÃO VINGANÇA (mas consolo e silêncio) - “- Olha, Gracinha!...vale desabafarmos!...devorou as linhas terríveis...esmagava a carta nas mãos...retendo algumas lágrimas que rebrilhavam...grande sombra...desabafo assim, serenamente...Ela desatou um solto, doloroso choro, em que a sua fraqueza de alma se desfazia...Com redobrada ternura, Gonçalo abraçou os pobres ombros vergados...o passado morreu... aconselhou, docemente...por fora, em cada gesto seu, parece bem morto!... - Mas ele até foi embora!...muita dignidade, muita firmeza...” - “...com grandes lágrimas de pureza e e verdade, jurara reserva, retraimento...leve e doce alma...falsidade...Gracinha conservava uma serenidade atenta...levemente seca... irmão complacente de Gracinha Ramires...” TRANSFORMAÇÃO DE GONÇALO (consegue encontrar em si mesmo algo da bravura dos antepassados): RECEBIMENTO DO CHICOTE - “E os dois amigos atravessavam o pátio...o Bento...areando com entusiasmo um castão de prata lavrada...escoa da toalha torcida um chicote, escuro...três arestas afiadas como se dum florete (como arma medieval)... - Estava no sótão... - Afiado como um cutelo. E antigo, muito antigo, como as minhas armas... -De cavalo-marinho...Uma arma terrível. Mata um homem...Passa a ser o meu chicote de guerra!” SONHO COM OS AVÓS (estado de vigília, recebimento das armas) - “...treva do quarto...Eram faces muito antigas...barbas ancestrais...mandar e vencer...rijeza e resplendor dos seus feitos...agora os corpos emergiam também...armados todos...realidade maravilhosa...seus avós Ramires...velha casa de Santa Ireneia nove vezes secular... - Neto, doce neto, toma a minha lança nunca partida...que lidou em...que derrubou as portas...arrebatadamente lhe estendiam as suas armas, rijas e provadas armas... - Ó neto, toma as nossas armas e vence a mote inimiga... -Ó avós, de que me servem as vossas armas - se me falta a vossa alma?” RENÚNCIA À FANTASIA - “ - Que me importa a eleição! Que valor tem uma cadeira em São Bento?” REABILITAÇÃO PESSOAL (reencontro com os velhos Ramires valorosos) - Mas nesse instante... - Você é muito atrevido...E nem compreendeu!!...borbotar de sangue... - Ai, não me faça mal, meu Fidalgo... (toda a cena com o Ernesto, o Manuel e o velho)...“A estória recomeçou, especialmente para o Bento...lendo riso de gosto...como se também triunfasse... - Foi o chicote, Senhor Douto! (criado comanda a mudança do Fidalgo)... heróico resto de Honra de Santa Ireneia, com e a força, um tanto quebrada, soldasse enfim firmemente à força secular da sua raça.” CONSCIENTIZAÇÃO (sua inutilidade como o Fidalgo da Torre) - “Por timidez...doce noite de festa...clarões e rumores em seu louvor...quase recuou, com outro espanto. A Torre iluminara!...Das suas fundas frestas...um clarão...e muito alta...Era uma surpresa, preparada, com delicioso mistério, pelo Bento, pela Rosa, pelos moços da quinta...Gritou alegremente...Obrigado!...efeito soberbo...desejo de subir e esse imenso eirado de sua torre...Não entrara na Torre desde estudante...agora as luzes nas frestas aqueciam...Honra de Ordonho Mendes...rumorosa simpatia esparsa...subindo para ele, através da noite, como um incenso...sobrevivente às outras mais altivas...pedras eternas...unidade de linhagem...TORRE DE D. RAMIRES...dilatada sensação de dominar toda a província, e de possuir sobre ela uma supremacia paternal (só quando vê a terra, de cima, é que ele realmente sente sua importância)...raras estrelas luziam...foguetes remotos...archotes festivos...errante som de tambores (=atambores da Idade Média)...das freguesias celebrando...sozinho, acabando o charuto...Era pois popular!...E esta certeza não o penetrava de alegria, nem de orgulho...confusão, arrependimento...Sempre se julgara cercado de indiferença daquelas aldeias...confusão e miséria moral...que vida enganada, e tanto a sujara - por não saber!...o dia do triunfo findava...ante esse resultado, tão miúdo, tão trivial...Deputado! Para quê? Para almoçar...galgar de tipoia, escrevinhar ao alfaiate...rasteiras, intrigas e rabujices...pensadores completavam a explicação...artistas realizavam obras...reformadores aperfeiçoavam...esses eram verdadeiramente homens... - A festa acabou, Bento!” OS RAMIRES VÃO ACABAR - “-Eu por mim não caso, não tenho jeito...acabados os Ramires, acaba Portugal.” MAS RESTA AINDA UMA ESPERANÇA - “...encontramos no corredor o velho com a pequena...Rosinha tão vermelha se fez, que até Gonçalo, apesar de excitado e distraído, notou e corou de leve...entre eles um conhecimento antigo, por causa de um cesto de rosas...o destino os anda sorrateiramente chegando...uma beleza...tão bem educada!...dote tremendo...apenas onze anos de diferença... - o rei faz a pastora rainha...” ESPÍRITO DO ROMANTISMO Ressurreição de PORTUGAL e de GONÇALO: ele, feito um novo homem, Portugal, um novo país. GMR --- fidalgo errado e deslocado, mas ao chicotear o inimigo, é como se nele ressurgisse o antigo e tradicional espírito heróico dos Ramires medievais. Quanto à honra feminina, Gracinha é frágil, o irmão a perdoa carinhosamente e lhe aconselha a esquecer e silenciar. Na Idade Média, tal fato seria lavado com sangue. Gonçalo não se respeitava e não se assumia, por não respeitar os antepassados e suas tradições - revivendo o passado, conseguiu reaver uma parcela de energia e forte bem querer. É preciso venerar e cultuar o passado ilustre e glorioso, para dele receber a influência de um bom exemplo. Esta e a tese do ROMANTISMO, revivida na novela histórica A TORRE DOS RAMIRES. ÁFRICA - duas visões (paradoxal, também, = GMR e Portugal): pela carta de Maria Mendonça, o que se diz de GMR e da África - “mais bonito...e sobretudo mais homem...muitas coisas interessantes da África...plantou dois mil coqueiros...muito cacau, muita borracha...milhares de galinhas...” -- Titó - “Tenho horror à África...desgostos...Boa para vender...é como essas quintarolas...muito distante, não se conhece ninguém...sezões todo o ano...Era desembarcar ali na areia...safanões aos pretos...como fidalga...eu sou economista...” GONÇALO = PORTUGAL / ambos cheios de paradoxos Ao final da estória de Gonçalo, o amigo Gouveia o retrata em contrastes (positivo/negativo), e nesta dualidade de caráter e temperamento o compara a Portugal. Perdão com amor. Não ironia nem crítica agressiva, mas amizade/nacionalismo (Gonçalo/Portugal), quase de exaltação, louvação e carinho: “ - Tem muita raça! -exclamou o Titó...tem a raça que o salva...às vezes há um homem muito sério, muito puro...todavia ninguém gosta dele, ninguém o procura...ao lado estava outro leviano, descuidado, que tem defeitos e culpas...sempre com uma palavra DCE...por isso todos o amam...sustento a semelhança...a bondade...os entusiasmos...o desleixo, a constante trapalhada nos negócios...e uns escrúpulos, quase pueris...a mentira...a vaidade...a esperança...a desconfiança...sabem vocês quem ele (Gonçalo) me lembra? Portugal.” (Paradoxal e ilógica, também, a opinião pública.) SOLUÇÃO DE GONÇALO / PORTUGAL DECADENTES O eterno sonho messiânico utópico: o ir para a África. Gonçalo volta rico, após quatro anos de sua partida de Santa Ireneia. --- IDA - fidalgo e escudeiro - “GONÇALO MENDES RAMIRES , silenciosamente, quase misteriosamente, arranjara a concessão de um prazo vasto da Macheque, na Zambézia, hipotecara a quinta histórica de Freixedo, e embarcava em começos de junho no paquete PORTUGAL, com o Bento, para a África. --- VOLTA - glória de ambos, Gonçalo e Bento - “...primo Gonçalo...mais bonito e sobretudo mais homem...sempre a mesma brancura...duma elegância, dum apuro!...o pasmo dos povos...o Bento deixou crescer um bocado de suíça...grande casaco de viagem de pano claro...luvas amareladas, gravidade imensa.” --- Como todos os antigos que voltavam da África, ou seja, os que voltavam. BIBLIOGRAFIA: “As idéias de Eça de Queiro” - Santos Werneck, Agir, 1946. F I M
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Comentários dos leitores

assim como você herdou um velho caderno, eu herdei velhos livros que contam essas estórias todas. Gonçalo é muito engraçdo... Parabéns!

Postado por lucia maria em 28-11-2016

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