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FAMOSÉRRIMA E ENROLADORA



					    
Minha inquieta AMIGA trabalhou cinco anos no escritório de uma empresa sueca, fabricante de máquinas de escrever. (Intervalo para contar a evolução tecnológica e pessoal de uma “dedilhadora” - máquina de escrever manual, depois elétrica, depois modelo sem ‘carro’ e apenas móvel o ‘rolinho’ das letras /cabia em espaços pequenos de uma estante/... por fim, aposentadoria e brincadeiras com avançado computador em tempo atual!!!) Bom, ao final desse emocionalmente longuíssimo e exaustivo tempo, quinquênio, meia década, cansou da rotina do mesmo serviço, da mesma correspondência comercial, do mesmo contato pelo mesmo telefone com os mesmos bancos, de ver sempre as mesmas caras e do mesmo chopp ao anoitecer da sexta-feira com os mesmos colegas de trabalho. Demissionou-se no auge do tédio; por questão contábil, indenizavam até mesmo (agora, boa e sadia inclusão!) quem saísse espontaneamente. Isto num fevereiro e em um ano ora não trabalhou ora teve biscatezinhos, sem contrato assinado, de dois meses em ‘ninhos’ diferentes onde aceitassem uma datilógrafa-arquivista. No outro fevereiro, foi trabalhar numa empresa de móveis e eletrodomésticos, símbolo uma orgulhosa ave oceânica do Hemisfério Sul, posição em pé, usando smoking. Mais prática que todas as outras moças, ganhou tarefas especiais diferenciadas... Unida com todo mundo. Só que ELA acabava depressa a tarefa diária. Alguns meses antes, uma funcionária sofrera gravíssimo acidente (ônibus invadiu a calçada no horário da saída geral e foi parcialmente esmagada contra a parede) que lhe inutilizou um braço... Aposentou-se legalmente, INPS na época, mas continuou trabalhando, agora árdua tarefa de telefonar para os atrasadinhos, “lembrando” os valores e as datas das prestações vencidas. Tempo severo e exagerado em que as lojas em geral pediam fiador até para... liquidificador, batedeira de bolo, barbeador, secador de cabelo......... A fulana, tadinha, revoltada, mal-humorada, descarregava complexo e trauma sobre os muitos, muitos, muitos devedores. E nem era assim um tempo nem de golpe nem de austera crise econômica mundial. Início da segunda metade dos anos 60. Telefonemas muitos, muitos, muitos. (Só uma companheira de trabalho a fazia sorrir, um pouco rir, milagrosamente gargalhar... Leitor ‘adivinha’ quem era a alma piedosa, respeitosa-discreta e prestativa, da mesa ao lado?) Aí, minha AMIGA ofereceu-se para ajudar. Na ‘era pré-computador’, o controle de pagamentos era realizado no “olhômetro” e na caneta esferográfica, anotações mensais na mesma ficha verde do ato da compra e assinatura do freguês. (Intervalo para uma frase filosófica - “O mar é verde de tanta esperança afogada.” Desconheço o autor.) Ora, se é para a j u d a r, ELA escolheu fichas da clientela mais interessante - profissões esdrúxulas (havia até engolidor de fogo de circo ambulante, caçador de cobras /e lagartos?/...) ou gente famosa. “Uau, uma super bailarina de renome internacional... devendo perto de 3 prestações? É pra já!!!” Morava na chique da cidade: cozinheira baiana largou a panela de chuchu cozido (quais os potenciais vitamínicos?), atendeu, passou telefone para a patroa ainda na cama: “Amiga sua, íntima, minha intuição de santo diz que é amiga ursa...” (Bom, nem amiga nem ursa.) A bailarina casara recentemente, sob o amadrinhamento da filha famosa de um político famosérrimo, aquele de derreter corações femininos, enrolar inimigos e sair sorridente-triunfante. Minha doce AMIGA falou sobre um espetáculo público na semana anterior (a que não assistira), palanque encerado e improvisado perto da praia (leu no jornal do dia seguinte), trechos de danças clássicas musicadas, elogiou, somente pensou em balé “Coppélia” (não quis arriscar um erro); esquadrinhou em detalhes, desde tenra infância (boa memória de antigas reportagens), a figura da madrinha, apaixonadíssima diletante dessa arte... Após rasgação de sedas, notícia bomba - a loja poderia tomar-lhe a geladeira, quase 90 dias sem pagamento... A bailarina tentou alegar que não era responsável pelo pagamento (havia assinatura dela na tal ficha verde!!!), presente comprado à vista pela madrinha (num longo prazo de 12 meses?), outra versão de “vai-ver-ela-esqueceu-de-me-avisar”; esclarecimentos de “nunca ninguém aí da loja me cobrou antes”, adulação em “você é muito gentil e delicada”; ofereceu entradas para o teatro municipal (já propina?) etc. etc. etc. Vai que cola? Não colou... Contornada sutilmente a situação, ficou de pagar. O local de trabalho da “cobradora” era um grande salão, todos juntos e misturados, embora escrivaninhas individuais, rodízio semanal para atenderem o balcão de pagantes. Não era dia dela, porém avisaram que uma pessoa “esquisita” (alto lá! isto não!) a esperava ao balcão... Moça magra, alta, pele mais branca impossível ou sob algum pó maquilador, parecia uma espantada Ofélia, cabelos em coque e uma faixa prendendo o menor fio escapulindo... Bailarina! Esticou o dinheiro, a atendente entregou à mulher-caixa. Todos riram depois. Geminiana conversadeira que vai buscar assuntos no fundo do baú da História do Brasil, consequentemente ‘reinaugura’ Brasília, anestesia e inebria a freguesa, a conta é paga rapidinho......... Leitor, agora você decide: ( ) pura e honesta obra de ficção, ( ) repito o que ouvi falar, ( ) mera coincidência... NOTAS DO AUTOR: “COPPÉLIA” - um dos mais famosos repertórios do balé clássico, estória cômica e sentimental de uma boneca /sonho e pressentimento/, ambiente da Polônia, 3 atos - estreia em maio de 1870 na Ópera de Paris - libreto de CHARLES NUITTER, baseado em “The Sandman” (o homem de areia), conto fantástico do alemão ERNST T. A. HOFFMAN (1776 / 1822), escritor, jurista e futurólogo. OFÉLIA - personagem de SHAKESPEARE: jovem da alta nobreza da Dinamarca, noiva do Príncipe HAMLET. F I M
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Comentários dos leitores

Meus assuntos familiares, na tagelice, viram o que é verdade parecer ficção. Verdade berdadeiríssma. num passado remoto. A famosérrima continua dançando e talvez fazendo os lojistas dançarem. Parabéns!

Postado por lucia maria em 28-11-2016

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