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AUTO DA COMPADECIDA-PARTE II



					    
LUÍS DA CÂMARA CASCUDO - 1898 / 1966 - Advogado, historiador, antropólogo e jornalista. NOVELÍSTICA - 1--Introduzida no século XIX: valorização da temática e elementos de cultura popular - identificação das origens e conhecimentos das áreas de influência temática; 2--descobrimento da literatura oral: trabalho secular na memória do povo; nada escrito, memorizações de geração a geração; 3--popularização, tradução, adaptação sob forma de criação local das novelas européias. / Três pontos capitais do processo de pesquisas: origem -- transmissão -- persistência. / Transformação de NOVELAS e CONTOS a partir do século XIV, de fontes orientais e européias, sob a forma de contos populares, “fabliaux”, contos, anedotas etc. - semeadura através de jograis ou cantadores individuais populares. LITERATURA DO POVO - Três gêneros distintos: a--LITERATURA ORAL - característica dessa transmissão oral: contos de fadas, anedotas, adivinhações, casos pitorescos, autos cantados e declamados, desafios etc. -- autoria anônima -- origem em fontes variadas e geografia distante -- a oralidade criando modificações e adaptações para a sua região (adaptação ambiental e psicológica) --- b--LITERATURA POPULAR - base oral, mas apresentada impressa a um público fiel e complexo: versos, quadras, ABCD, sextilhas, décimas etc. (rarissimamente impresso em prosa) -- acontecimentos locais, grandes caçadas ou pescarias, enchentes, incêndios, lutas, festas crimes, vitórias políticas, temas devotos, odisséia de cangaceiros, milagres de santos, sonhos, visões, fugas espetaculares, prisões de bandidos famosos, estórias de padres etc. -- também trechos de romances famosos nacionais ou estrangeiros, modernos ou da antiguidade, inclusive fatos históricos épicos e novelescos -- poeta popular transforma e assimila a literatura importada para seu ambiente sócio-cultural -- romances saem da prosa para o verso popular, muitas vezes sob a forma de ABCD -- no sertão ou interior, comum a figura profissional do poeta cantador, que escreve, imprime, canta e vende seus versos -- literatura popular como reflexo poderoso da mentalidade coletiva em cujo meio nasce e vive -- transmissão por folhetos ou oralidade pelos cantadores e trabalhadores do campo, jangadeiros, pescadores, viajantes etc. --- c--LITERATURA TRADICIONAL -- recebida impressa há séculos e mantida pela reimpressão brasileira depois de 1840, em geral novelas históricas com personagens verdadeiros, sob aspecto de fantasia e aventura -- origem erudita a partir do século XV, em geografia diversa. BRASIL: séculos XVI a XVII. LEITURAS: orações, hagiolários, sermões, livros de exemplos o que era então permitido). No serão noturno, o português ouve e narra estórias nas longas noites coloniais. Cópias manuscritas. Impresso era um grande luxo. Inquisição exige denúncias e condena leitores. Proibição de muitas obras: para sua segurança física, o leitor lia e rasgava o livro em seguida, se considerado leitura profana. Comum língua espanhola no Brasil e em Portugal, por proximidades política e geográfica, respectivamente. Inquisição defendia policiava leitura da Bíblia, até da publicada em língua estrangeira no Brasil. Proibidos em “índex” alguns livros de temas religiosos, considerados heréticos. Nos inventários de bens dos vigários, alusões a “livros de uso”, sem maiores identificações - alguns em idiomas estrangeiros, pelo menos se sabe isto, não assunto nem autor -- leitura de uso comum era a de santos do calendário, padrinhos e nome do dia das crianças nascidas em fazendas coloniais brasileiras. Também grande elemento de cultura era o “Lunário perpétuo”, nascido em Lisboa/1703, como adaptação do original espanhol muito antigo, emendado pela Inquisição e traduzido em português - anda hoje usado para os cálculos astrológicos no Nordeste agreste do Brasil. NOMES DE BATISMO - Santo do dia (herança religiosa) --- nomes dos grandes heróis (herança histórico-novelesca): de “Doze Pares de França”, Roldão, Oliveiros, Reinaldo, Roland, Ricarte da Normandia etc. - Imperatriz Porcina, Donzela Teodora, João de Calais etc. VIDA NAS FAZENDAS - Ausência de jornais, isolamento das fazendas e engenhos de açúcar muito distantes um do outro, serões inteiramente literários e para trabalhos manuais, chefe da casa raramente saindo à noite, candeeiro aceso após a “janta”, leitura tradicional desses folhetins que vinham de séculos, assistência de ouvintes interessados e comentadores assíduos. Esta a visão dos serões quinhentistas e seiscentistas no Brasil... HOJE - Apesar de todo cheio de comunicação vigente (luz, rádio, TV, jornais, telefone...), ainda folhetos despertam a simpatia ou pelo menos a curiosidade do leitor moderno. HISTORIADOR LITERÁRIO SE DETÉM - Razões da permanência dessas novelas tradicionais através de: tantos séculos; tantas mobilidades sociais; mudança da sensibilidade e do gosto da leitura popular... por que esta permanência? Resposta: Necessidade do maravilhoso, tendência natural à proporção e ao equilíbrio. Fonte desta pesquisa: “Cinco livros do povo”, Coleção Documentos brasileiros, n. 72, de LUÍS DA CÂMARA CASCUDO, Rio, 1953. A seguir, no livro, textos: “História da donzela Teodora”, “História do grande Roberto do Diabo, duque da Normandia e imperador de Roma”, “História da imperatriz Porcina” e “Informação sobre a história do imperador Carlos Magno e dos Doze Pares de França”. RESUMINDO - História das edições originais (séculos XIX e XV) -- redações primitivas -- versões e adaptações regionais em outros dialetos ou idiomas -- verdadeira fonte histórica (origem da lenda) -- tipo de herói -- ciências que o texto mostra (astrologia, religião, matemática, gramática, geografia etc.) -- códices ou pergaminhos antigos em manuscritos -- textos em prosa -- textos em verso -- versão poética brasileira por cantadores de feiras nordestinas populares, inclusive texto dessa “modinha” sob a forma de ABCD -- historicidade do personagem ou criação lendária? -- bibliografia sobre a referida obra (validade ou não) -- tentativa de identificação do autor. F I M
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Comentários dos leitores

Maravilha! Tudo explicadinho... Estou encantada com sua versatilidade de pesquisador... Parabéns!

Postado por lucia maria em 01-12-2016

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