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A FLORESTA EM SUA CASA



					    
Conto discutido em aula acadêmica. SEQUÊNCIA 1 - Situação estável, equilíbrio, descrição. - 1) Presente daquele mundo - “Há séculos (=desconhecimento real, ficção imemorial da idéia de floresta) que os desertos e as grandes florestas...os densos bosques...tinham desaparecido da face de um pequeno mundo super povoado...cultivavam também os oceanos”, as antigas florestas já transformadas em deslumbrantes cidades, aeroportos etc. - nosso “futuro” presente de alta tecnologia, mas onde a máquina não é infalível? Exemplo: o detector de mentiras que aponta dois vagabundos como assassinos - ironia nesta máquina imperfeita num mundo já tão adiantado e evoluído, onde até mares são cultivados. 2) O passado é visto através de um pintor acadêmico detalhista que mostra a antiga floresta tal qual era: bichos ferozes, perigosos, mas ‘engraçados’ na percepção do espectador que só os conhece curiosamente através dos livros de zoologia. No “perigo” do animal, está a ambigüidade da percepção: ignora-se o momento da agressão, esta somente em virtualidade. 3) Os quadros ou referentes - animais semi ocultos pela folhagem. O espectador “sente que o tigre, quando tigre havia, avista a presa, à espera do momento para o ataque”. Tema do olhar: espectador olha tigre, tigre que olha presa... Era assim que os animais ferozes atacavam suas pequenas vítimas e “era assim a floresta?” Como saber? 4) Percepção do espectador através da visão. O jovem leão como que encara as pessoas, “a olhar bem de frente a quem o olhava.” Leão aparece (está pintado) e parece (é assim visto) oculto pelo largo tronco da árvore pela junção de lianas, folhas gordas e arbustos. Semi escondida a juba. É como se o leão espreitasse o espectador do quadro, a sensação de perigo esperado a algum momento. A floresta é uma charada curiosa, um ponto de interrogação a ser dissecado, à escolha de maior ou menor interesse do “curioso”. O arrepio é breve (choque de espanto, reação), a admiração é muita entre os visitantes. Um quase volta à “pré-história” em termos de século XX. Charada também para o pintor. “...abria os braços, punha-se a rir. Como havia de saber? Há séculos que...(máquina do tempo) a terra era pouca para edificar e cultivar.” Florestas não mais reservas e sim espaço necessário a ser ocupado. Época da não sobrevivência dos animais - em todo o planeta, somente três ou quatro “reservas” - pequenos jardins de aclimatação, ambiente natural para eles. 5) Floresta. Algo estranho, objeto de imaginação, como o pintor-poeta as cria e pinta “com túrgidas flores que nasciam, cresciam e morriam em poucas horas“. Floresta ambígua entre o imaginário e o real - para pintor, visitantes e compradores dos quadros, que procuravam porque decorativos (=puro enfeite) e de belas cores. 6) Charada, percepção. “Os quadros nunca acabavam de ser vistos. Ali estava o leão, semi oculto, mas olhando melhor, procurando, avistavam-se três corças, encolhidas, como que receosas, tal como o espectador julga e se coloca no lugar da futura vítima do leão: pressente o perigo?) - a cobra a rastejar e a aranha,e mais além, animaizinhos escondidos...Matar a charada aos pouquinhos e também aos pouquinhos pode deixar de ver ou - contrariamente - fazer progredir o imaginário. “...animaizinhos escondidos...” Quantos? Não e sabe, não se vê, não se afirma ao certo. Tema do olhar. Espectador passivo e analisante. 7) Pintor. E um charadista, ele próprio. Da mesma forma que floresta é também charada (velhos almanaques...), coisa dos séculos passados. Quem é o único, o original é o muito apreciado porque criador. Propaganda dele. “Tenha a floresta em sua casa”. É moda, vamos usar. Nostalgia do verde refrescante. Já não há bichos. Tudo é “souvenir”, memória, curiosidade, museu. Animal, objeto de estranheza naquele mundo. SEQUÊNCIA 2 - Instauração de desequilíbrio pela ambigüidade de percepções de visão. - 1) Nada de questionamento do estranho. Percepção dos espectadores miúdos, o que se vê ou julga ver. Vendeu “...a sua última grande tela (charada maior, possibilidade maior dos jogos de visão)”...as crianças andaram semanas de volta do quadro, até lhe descobrirem todos os segredos, os bichos semi escondidos, espreitadores (percepção do espectador), prestes a devorar ou serem devorados”. Bicho grande a devorar o pequeno: luta pela sobrevivência até mesmo na floresta, lei do mais forte, como na cidade também (homem “come” o espaço perdido da floresta virgem)... O quadro como um jogo apaixonante: o ver se mescla a adivinhar ou deixar de ver. Jogo, quantidade de bichos: “Ainda há mais”, dizia um. X “Aposto que não”, respondia o outro. 2) O leão é “visto” em primeiro plano, fitando-os com serenidade um pouco trocista, juba redonda... corpo inquieto. Charada é sempre troça e desafio ao adivinhador”. A atenção da raça leonina através do último leão do jardim (reserva) de Choa, junto ao Nilo Azul, morto, o ter em casa o desenho de um leão é ter um de verdade! “Nós temos um leão, disse...deitados e de luz apagada.” Clima escuro, propício à esfera de imaginação. Gilles, 5 anos, caçula, diz: “Nós temos um leão...O resto (floresta e outros animais) é de pano...Ele /leão/não.” Alex, 7 anos, diz: “É de pano pintado...És parvo.” 3) No primeiro julgamento do quadro - de certa maneira o questionam -, as visões e percepções infantis são diferentes: Gilles, imaginário - o leão, último sobrevivente da floresta secular -, Alex, real - quadro-objeto-enfeite. 4) Mudança de situação, encaminhamento para o fantástico na visão dos meninos. Gilles diz: “Os olhos dele são olhos a sério (recusa a idéia do pano pintado). É um leão. E deve ter fome.” Sentou-se na cama. “O que comerá um leão?” Abertura à percepção oposta de Alex no dia imediato. Alex diz: “Não é fácil alimentar um leão. Não é nada fácil.” Gilles diz: “O que comem os leões?” Alex diz: “Não sei. Talvez outros animais, os mais saborosos. Gente quando têm muita fome. Agora vou dormir, tenho sono.” Comida de leão, ao certo eles ignoram: talvez sejam animais (moram na floresta - os mais próximos e prováveis) ou gente (fome maior). SEQUÊNCIA 3 - Desequilíbrio pelo estranhamento das “ocorrências’. - Parte I - Questionamento do estranho entre os personagens mirins. 1) “No dia seguinte continuaram a sua ronda entusiástica em volta do quadro. E o mais velho estacou de repente: “Quantas são as corças?” - palavra-ação: “quantas”. Agora é Alex o imaginário primeiro, que irá influenciar o outro. Mudança de percepção ao contrário: antes, procuravam ver mais bichos; agora é necessária a visão de menos bichos, que lhes criem o clima localizado no campo do incrível, do fantástico-estranho. A dissolução do “mistério” estaria no contar-se, revelar-se o segredo à mãe, mulher adulta; mas também ela, uma entre tantos espectadores do quadro enigmático, poderia optar em ver menos ou mais bichos na tela pintada. 2) O segredo é “como... descobrir um tesouro”. Juram segredo e “involuem” a percepção do real, caminham para o imaginário. Gilles levou o dia a passear diante do quadro, o velho leão (que antes “era um jovem leão ágil”, também juba redonda, corpo amarelado - o quadro não é o mesmo ou o leão envelheceu (desde o momento da pintura até o momento da ansiedade dos meninos, ou rejuvenesce depois de comer?) a fitá-lo com os seus tranqüilos olhos amarelos. Alex, o mais velho, parecia haver-se desinteressado e olhava os carros...como quem sonha...” Ele hesita ante a diminuição da primeira corça - o estranhamento, o mistério da tela pintada que ganhou vida - o leão - e é capaz de matar para comer: a corça desaparecida. 3) “No dia seguinte só havia uma corça e no outro algumas folhas haviam preenchido o lugar...Durante dois dias não houve modificação: o jovem leão (agora remoçou?) digeria. Mas depois desapareceu um pequeno macaco...Restavam a cobra e a aranha. O leão parecia não se decidir.” Ou ir para o crédulo ou para o incrédulo. O parar ou o prosseguir. Hesitação passiva das crianças diante do que lhes parece sobrenatural. Não se decidem a prosseguir; o leão, por isso, lhes parece também passivo. Espectador mirim indeciso - logo, leão indeciso. “...parecia não se decidir”: discurso modalizante; os meninos se mantendo nos dois pólos. Sentem o que o leão já devorou, sabem que irá devorar algo, mas o decidir-se é dar mais um passo à frente, na “realidade” criada. Somente um intervalo entre comer ou isto ou aquilo. Hesitação na escolha, não no ataque. 4) Quebra do estranhamento para personagens seria tomar-se a cena “leão devorador X animais devorados” como um sonho. Alex encerra o diálogo: Agora vou dormir, tenho sono.” Sonho. “No dia seguinte continuaram a sua ronda entusiástica...não sentir mais o peso daquele segredo.” No sonho, percepção real de passagem de tempo: duas vezes “no dia seguinte...” Em geral, no sonho é estranha a percepção do tempo. Nesse caso, o estranho do conto seria dissolvido racionalmente porque sonho é apenas ilusão dos sentidos quando o corpo adormece. Os assassinatos aconteceriam independentemente e depois do sonho deles. Sonho apenas como catálise. Fiquemos por ora apenas no estranhamento dos meninos, sem discussão ou ambigüidade de leitura. Parte II - Restauração do equilíbrio, embora não idêntico ao início. Explicação lógica e racional - destruição para o adulto do mito do estranho sobrenatural. 1) Primeiro crime. “Na manhã seguinte a mãe sacudiu-o (a mãe o acorda para o real) com força: “O Alex? Onde está o Alex?” “Sabia lá!” Mas levantou-se porque todos procuravam, faziam muito barulho, a mãe chorava, o pai dava gritos, ameaçava toda a gente , nunca o tinha visto assim, parecia doido.” Parecer, verbo opaco e constativo. A percepção do caçula é toda no plano do parecer - ele confunde verdade e possibilidade: o leão parece vivo e parece devorar os animais indefesos, o pai parece louco... Na verdade o pai não é nem era, mas está doido: única percepção real do menino, única vez em que ele pactua com o real e sai do imaginário. 2) “E ele (o menino Gilles) soube então - e viu (tema do olhar , vidência mesmo e não simples e ilusória percepção) que a roupa de cama do irmão estava dilacerada, como se (modalização, percepção, idéia) a tivessem cortado à navalha, e que havia sangue (real, pois no quadro também havia sangue: os bichos simplesmente sumiam, não mais vistos e percebidos pelos irmãozinhos) pelo chão. A polícia dentro de casa... 3) A falha da máquina. “...dois vagabundos não tinham reagido bem ao detector de mentiras”. A máquina acusa estes homens. Memória do menino, ambigüidade: o leão ou os vagabundos criminosos? Roupa da cama cortada a navalha ou os dentes do leão? Gilles hesita e rememoriza: “E um segredo. Anda, jura”...”Juro que não conto a ninguém.” 4) Segundo crime. “Uma noite, a mãe” é dada como desaparecida. A falha da máquina é reconhecida. “O detector funcionara mal ... vagabundos libertos...” Se estavam presos, como poderiam ter cometido o segundo assassinato? Foi o pai. “Era estranho, mas Gilles ficou contente por o pai ter sido preso.” Estranhamento para o próprio personagem. Estranho porque: a ele simplesmente o pai parece doido (ele pouco percebe; desconhece quem seja o verdadeiro assassino (ele nada entende); memoriza o leão e os outros animaizinhos “desaparecidos”; ou julgava que seria o pai a próxima vítima também? Menino estranha seu próprio contentamento ou é o narrador quem estranha que o menino aceita satisfatoriamente a prisão do pai? Ambiguidade na leitura??? Ele sente alívio porque termina tensão - pai preso, tios tomam conta dele. 5) Afastamento e enigma. Gilles contente: prisão do pai (contentamento ambíguo e ilógico; chegada dos tios que o vieram buscar, “pobre menino de 5 anos só no mundo” (contentamento racional). “...tios fecharam tudo...levaram chaves e Gilles...cidade distante onde tinham uma casa modista, sem quadros (o real, o não imaginário). “Quiseram que o menino esquecesse o passado (a desgraça familiar); ele, porém, recusou-se a isso.” “Terminantemente escolhe permanecer na fantasia estranha.” Ele atraído pela charada, pelo enigma, pela esfinge (até que tem forma leonina) que ele não decifrou, mas que também ela não o largou: “uma recordação tão estranha...que acabou por julgar um sonho (ilusão), um sonho mau (morte da família), mas apaixonante (porque ambíguo e enigmático)...” 6) Retorno e resposta satisfatória ao enigma, satisfatória para Gilles. “Muito tempo depois, já homem, já casado, voltou ali...abriu porta...um cheiro estranho a bafio. Seria mesmo o bafio?” Hesitação. “Entrou devagar, foi entrando...primeira coisa que olhou foi a tela. Lá estava o leão com o seu ar caricatural (=figura do passado, quase patética) e perigoso (porque fera), e as corças e o macaco...” 7) Desilusão, racionalismo. “...e Gilles teve então de acreditar (o real) na tia que durante anos e anos (passar e repassar afirmação) lhe dissera que ele foi uma criança demascado (demasiado) imaginativo...pai enlouquecido...assegurava ela corpos encontrados mais tarde num barranco - desfazimento do fantástico-estranho, fim da hesitação do personagem. Contudo, Gilles se decepciona com a realidade do pai assassino e louco no manicômio, quando na verdade nada acontecera com os pobres animais e o “perigoso” leão no pano pintado - “...profundamente decepcionado e arrependido de ter vindo” e ter desvendado as ilusões infantis. Recusa do fantástico: fim claro, falseamento do jogo - identificação total, desencanto. Incerteza de Gilles existiu de se defrontar com o quadro, normalzinho, muitos anos depois: no adulto, a memória do passado pleno de impressões de crianças. 8) Conclusão: Jogos de ser / parecer - ambigüidade da narração: REAL - ser - concreto - pai louco assassino, que esconde cadáveres no barranco / sangue pelo chão e roupa de cama dilacerada / não hesitação nem ambigüidade / loucura do pai é resposta racional do “mistério” X IMAGINÁRIO - parecer - abstrato - desaparecem animais, devorados pelo leão perigoso (percepção de Alex e Gilles) / desaparecem Alex e a mãe (Gilles, o sobrevivente, assim julga) / “havia sangue pelo chão” / hesitação, impressão ambígua. 9) Não se pode contestar neste CONTO o suspense do imaginário, embora o real seja claro. Segundo o teórico TODOROV, “A aparição é (pode ser) o fruto de uma imaginação super excitada...” Fora do fantástico, mini conto policial: revelação de crime com descoberta dos corpos, pai é o culpado e prisão como castigo. Contudo, é bom “acreditar” no sobrenatural para que exista esse tipo de literatura. Incredulidade destrói o fantástico. 10) Narrador em terceira pessoa, distinguindo-se: a--temas do EU (personagens conflitando ou harmonizando com o mundo que eles constroem): ILUSÃO - Gilles e Alex - percepção, consciência ofuscada (ilusória); posição passiva de espectadores (diálogo vale como narração); tema do olhar X b--temas do TU (TODOROV aproxima das neuroses): VERDADE-pai- instinto (loucura) e inconsciência; dinamismo contra os outros; posição ativa criminosa. ----- Vítimas (mortos) - Alex e mãe. A literatura fantástica possui estranhamentos sociais - aqui, a loucura do pai e os assassinatos cometidos. O confinamento no hospital é uma censura, uma condenação imposta pela sociedade sadia. Crime - transgressão - casa de saúde = prisão para loucos. Punição ao elemento desestruturador das convenções do meio ambiente sócio-cultural. ------------------------------------------------- AUTORA: MARIA JUDITE DE CARVALHO - 1921 / 1998 - Sua obra integra volumes de poesia, contos, crônicas, novelas, romances e teatro. Este conto, do livro “Os idólatras”, 1969. F I M
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Comentários dos leitores

Eu sei! A imaginação, na criança ou no adulto, faz preferir 'o outro lado'... Desencanto voltar e encarar a verdade. Parabéns!

Postado por lucia maria em 03-12-2016

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