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DOIS POEMAS DE ANTERO DE QUENTAL



					    
“A UM CRUCIFIXO”, soneto I - 1862 -----“Há mil anos, bom Cristo, ergueste os magros braços (...) Com que regaste, Ó Cristo, as urzes do Calvário?” POETA trevoso --- amante da noite, do não-ser, do nada absoluto, do suicídio. “A UM CRUCIFUXO”, soneto II - 1874 ----- “Não se perdeu teu sangue generoso, (...) Que entre nossos avós se conta Cristo.” POETA luminoso --- filósofo, reformador social, apóstolo, servidor da justiça, homem do bem (“clarões de fé como raio de luz que rasga as trevas” - EÇA DE QUEIROZ). SÉCULO XIX, segunda metade - avanço das ciências nos últimos séculos; fase de evolução da humanidade; triunfo material e político da burguesia; máquinas e invenções; evolução das idéias sociais; filosofia do proletariado; conflitos ideológicos. ANTERO DO QUENTAL - “aura de mistério, quase de santidade”; teórico do socialismo, porém não um organizador - entra o filósofo e o artista. Três “momentos” de poesia: PRIMAVERAS ROMÂNTICAS - expressão do sentimento pessoal / ODES MODERNAS - expressão do idealismo revolucionário / SONETOS COMPLETOS - superação das atitudes anteriores: ensinamentos, interrogação de consciência, aspirações, idéias. Versos sentidos, vividos - o sentir e o viver numa natureza especial: fronteiras físicas (cérebro), mas não fronteiras no mundo real (sua imaginação alada numa razão especulativa sem limites). Poeta místico, filósofo como crítico. Dilaceração de misticismo, metafísica, sentimento, razão, sensibilidade, vontade, temperamento, inteligência. Figura dúbia complexa e contraditória. ANÁLISE DOS POEMAS - comparações: POEMA 1 - temática: poeta interroga e questiona sobre a validade do sacrifício de Cristo - sacrifício foi em vão. POEMA 2 - temática: poeta admite serenamente a validade do sacrifício de Cristo - o sacrifício não foi em vão. Poema 1 - síntese - interrogação: “De que serviu o sangue com que regaste, ó Cristo, as urzes do Calvário?” // Poema 2 - síntese - afirmação: “Lembraremos, herdeiros desse povo, que entre nossos avós se conta Cristo.” Poema 1 - Cristo (letra maiúscula) - nome-símbolo da religião (maiúscula - Deus acima, distante do homem // Poema 2 - teu sangue (minúscula) - não distância teologal - homem=Deus (mesmo plano). Poema 1 - Estrofe 1, versos e 2 - embora minúscula em “teus passos” e “tua palavra”, maiúscula em “ó Verbo” (mesma estrofe), Verbo, palavra sagrada, deus distante, divinizado // Poema 2 - Estrofe 1 - “quem quer que foste” - não diz o nome de Cristo e sim “qualquer um”, deus=plebeu anônimo, bom, mas um simples homem-deus perto de outro homem-terreno. Poema 1 - Estrofe 1 - “clamaste da cruz” -cruz, símbolo da religião // Poema 2 - Estrofe 2 - “amarrado a um poste” - poste, como castigo para um qualquer relés criminoso, rebelde ou vagabundo. Poema 1 - Estrofe 1 - “bom Cristo” - crente - “viste em tua mente o futuro” - mostra-nos Deus bom, piedoso, que pode conhecer o futuro (isto é vedado ao homem comum) - neste poema, Deus inteiramente divino // Poema 2 - Estrofes 1-2-3 - “plebeu antigo - vil e faccioso (perturbador da ordem, um Cristo que é revolucionário) -imagem do pobre”- mostra-nos plebeu-Cristo e plebeu-homem, idêntico valor. Poema 1 - Estrofe 1 - “Cristo bom” - linguagem voltada para o Cristianismo: Cristo é Deus // Poema 2 - Estrofe 3 - renovação, homem novo, preocupação social de renovar o mundo; ponto de partida é o cristianismo por modelo - linguagem e objetivos do homem comum - estrofes 1-2-3. Poema 1 - Estrofe 3 - não renovação - “agora, como então, mesma terra, mesma humanidade, mesma enferma, mesmo ermo céu” - comparar com ROMARIA, de CDA, e VOZES D’ÁFRICA, de CASTRO ALVES: humildade passiva, em eterna espera - crítica à humanidade: desde Cristo, nada mudou // Poema 2 - Estrofe 2 - renovação - “surgiu armada uma invencível hoste” (que é o povo cristão), “paz aos homens” (cristianismo), “guerra aos deuses” (paganismo, idéias sem Cristo) - estrofe3 - “um povo em ti começa, um homem novo” - comparar com EVANGELHO SEGUNDO SÃO MATEUS e TEOREMA, filmes de PIER PASOLINI: homem comum, cabelos curtos, não longos como na figura tradicional de Cristo, confunde-se o Cristo com a multidão. Poema 1 - Estrofe 2 - “morreu sem eco o eco de teus passos” - sacrifício inútil o de Cristo // Poema 2 - Estrofe 3 - “de ti data essa trágica linhagem (povo cristão sacrificado) - útil o sacrifício de Cristo. Poema 1 - homem não valorizado no poema - não valor social // Poema 2 - mostrado o valor do homem - estrofe 4 - “Plebe” (maiúscula), “herdeiro do povo de Cristo” - estrofe 1 - “do Plebeu antigo”, que “marrado ao poste”, foi Cristo - Plebe, novo valor social da humanidade. PALAVRA ‘SANGUE’: Poema 1 - Estrofe 3 - “sudário” (metonímia): tela que representa o rosto ensangüentado de Cristo (Verônica o exibe nas procissões; ela enxugou o rosto de Cristo que carregava a cruz) - estrofe 4 - “mundo exangue” (sem sangue, como que apático, indiferente; Cristo vivo porque com sangue; mundo exangue, cansado ou apático // Poema 2 - Estrofe 1 - “teu sangue generoso” (como que ‘doação’ do bom sangue de Deus, sangue bom e generoso, para dar vida forte e corajosa ao homem) - estrofe 2 - “sangue maldito e ignominioso” - porque de um rebelde, revolucionário. Poema 1 - Estrofe 4 - “mundo exangue” - mundo diferente de Cristo, distante, inferior - “Há mil anos bom Cristo.........” - poema não inicia falando em sangue mostrado apenas ao final, síntese do poema, “De que serviu o sangue...” (sacrifício inútil) // Poema 2 - Inicia-se falando em sangue - “Não se perdeu o teu sangue” (sacrifício útil) - “sangue generoso” - assim diz a visão, o pensamento dos cristãos - “sangue maldito e ignominioso” - assim disseram os homens do poder, que mataram o Cristo-revolucionário, rebelde. Poema 1 - Deus é Cristo - “ergueste (na direção do céu) os braços magros” // Poema 2 - Deus é Homem - “de pobre que protesta foste a imagem”. EÇA DE QUEIROZ sobre ANTERO DO QUENTAL: “Nele, cada soneto é o resumo poético duma agonia filosófica.” ANTERO DO QUENTAL - Espírito dialético barroco. Turbilhão de esperança X desespero, fé X descrença, vazio X plenitude, luz X treva, vida X morte, F I M
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Comentários dos leitores

Doze anos entre um e outro... Boas reflexões. Parabéns!

Postado por lucia maria em 17-12-2016

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