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A ORIGEM NÃO SAI DE VOCÊ...-PARTE II



					    
Recebi convite para uma segunda palestra sobre... raízes. É como se diz popularmente: não adianta tentar esconder os pés sob a cadeira. Mais decente assumir o crescimento emocional e dizer: “Triunfei!” - - - - - ANTÓNIO JOSÉ DA SILVA, o Judeu - Única dúvida: afinal, escritor brasileiro (por acaso) ou português? Pela dramaturgia, nada a ver com nossos trópicos. Nasceu em 1705 no Rio de Janeiro, de pais migrantes, Brasil como celeiro judaico, chance para melhores investimentos coloniais, presença harmônica de judaizantes e cristãos, velhos ou novos; morreu em 1739, por obra da Inquisição. De quando em quando a Inquisição se manifestava aqui, em menor ímpeto. Família importante era o tronco Mendes da Silva - pai advogado, tudo indica que rabino, a família visada e perseguida. Em 1712, o menino com 7 anos, todos foram “julgados” e penitenciados (?) - mãe e filhos publicamente acusados de judaizantes: cárcere e hábito perpétuo(?). Após cumprimento das penas, Antônio José concluiu o curso de Direito em Coimbra, 1726, e seguiu as pegadas do pai. Primeira condenação, 1726, compromisso de não revelar as torturas, advogado assinou por ele... sem condições de usar... as mãos - “promessa” não cumprida. Logo em seguida, escreveu “O diabinho da mão furada”, como estória vulgar sem (sem?) significado relevante, “apenas” um safado demônio sedutor, implícito no enredo o inferno da Inquisição - para os judeus, educar sob mensagem metafórica, ensinando como driblar os donos do inferno; para os católicos, uma farsa para divertir. Em 1738, já cinco anos de literatura teatral, nova denúncia (delação premiada é agora!) - sua mãe, sua prima-esposa e o irmão conseguiram libertá-lo, mas acabou garroteado e o cadáver queimado. ELE ESCRITOR - Como novidade, textos em prosa. Seus textos literários interessam em especial pela perspectiva histórica, que transcendem os limites da ficção como testemunhas de acontecimentos reais, por exemplo a convivência dos judeus com os cristãos em Portugal, num tempo inquisitorial, discurso judaizante não oculto. Seu perfil intelectual o fez perecer ainda bem moço. Suas comédias na função de “fazer rir”, mas um riso caótico e comprometedor - pagou com a vida os supostos crimes do pensamento. No Rio, como outros judaizantes, conseguiria uma certa tranqüilidade. Temas do homem universal e atemporal. Crítica social. Comicidade expressionista ressaltando a barriga de Sancho, a corcunda de Esopo... Discurso camuflado, paródia, sátira, e discurso contra-ideológico na ironia, nos quiproquós e nos trocadilhos. Época de censura rigorosa e perseguição declarada a judeus. Público lisboeta, em 1733, assistiu no Bairro Alto, à peça em prosa com árias em versos musicados “A vida do grande D. Quixote de la Mancha e do gordo Sancho Pança” (sátira aos valores da nobreza feudal espanhola, indiretamente caricatura da sociedade portuguesa, um Cervantes modificado propositadamente); em 1734, “A Esopaida ou a vida de Esopo” (liberdade individual, linhas determinantes no Iluminismo e depois no Romantismo - comédia, crítica à filosofia escolástica, primeira cena no... Largo do Rossio); em 1735, “Encantos de Medeia” (tragédia mudada em comédia, Medeia-feiticeira é mulher realista que engendra artimanhas para prender o marido Jasão, em efeitos risíveis - camuflar literatura para satirizar o poder: fanatismo religioso X crença em bruxaria, magia e cartomantes; também sátira às viagens marítimas, cobiça da riqueza fácil, como na estória do “velocino de ouro”); em 1736, “Anfitrião ou Júpiter e Alcmena” (original de Plauto - metáfora à vida libertina de D. João V, amante de uma religiosa do Convento de Cheias - inclui descrição de um presidiário, celas e instrumentos de tortura, em profundo realismo; também no mesmo ano, “Labirinto de Creta” (relato mitológico sobre Teseu e comédia de amor - nova crítica social, traços gerais do ideal de vida burguesa); em 1737, considerada a peça mais importante, “Guerras de alecrim e de manjerona“ (sátira aos costumes sociais: fanfarrão ridiculrizado, burguês endinheirado-avarento, criado esperto-desonesto para sobreviver, namorados noturnos em quartos das moças, personagem principal em disfarces travestido de mulher, de médico e de advogado, ‘Petrus in cunctis’ (presume saber tudo e nada sabe) - muito trocadilho e latim macarrônico, invenção de palavras, neologismos); ainda em 1737, “As variedades de Proteu” (crítica ao casamento por encomenda, nobreza satirizada, personagens com nomes marinhos, Portugal sempre voltado para o mar, risível dessacralização mitológica, interesses sociais acima dos morais); em 1738, “Precipício de Faetonte”, vaticínio da desgraça acontecida ao escritor: sátira cômica sobre a crença em mágicos-adivinhos-astrólogos, possibilidade de contato do homem com os deuses, crítica de conseguir fácil o poder, fidelidade ao governo é proporcional ao que se recebe em troca, aparecem maquinações no palácio real para ascensão ao poder). Muita produção contínua! Escreveu também “Obras do diabinho da mão furada”. Escritor de vanguarda, seus escritos com grande valor histórico, refletindo a retórica judaica. Coerência com o estilo teatral da época, se......... apanhado em seus embustes. Através do jocoso, sua mensagem. O soldado André Peralta encarna o fraco, retrógrado, cristão-novo; o diabinho é o protagonista, o novo, o brilhante, o dinâmico, o judeu - a alma da sociedade, o capital, o defensor da cultura profana. Os argumentos do Peralta, tipo confuso-contraditório-fracassado, são fracos e acaba admitindo uma igreja corrupta. Rir foi sempre o melhor remédio. FONTES: “A literatura como defesa: o exemplo do teatro de Antônio José da Silva”, de José Carlos S. B. Melhy - SP --- “A comédia como ruptura : o judeu Antônio José” de Paulo Pereira - Centro de estudos portugueses/USP, ano 7, n.9, jan.-dez./81, e ano 10, n.13, jan.-dez/84. F I M
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Comentários dos leitores

Perseguir a origem alheia (de que nos orgulhamos) é inveja enrustida. Grande judeu! Sou braba! Parabéns!

Postado por lucia maria em 14-02-2017

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