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CACAU BAIANO: MÁQUINA DO TEMPO



					    
Em literatura botânica, iniciou-se ‘Cacao fructs’ e depois ‘Theobroma /alimento dos deuses/ cacao L’... inspirado na crença americana de origem divina. Bebida ritual, com pimenta-baunilha-canela. --- O contato inicial com europeus foi em 1502, quarta expedição de Colombo, quando um dos navios cruzou na costa norte da atual Honduras com uma canoa nativa plena destas ‘amêndoas’ para comércio; logo depois, a Venezuela introduziria o cultivo do cacaueiro. --- Na entressafra secular, XIX (segunda metade) e XX (meio da primeira metade), novas sementes trazidas do Pará (antes, era só o cultivo rendoso da cana-de-açúcar), o cacau “nativo” da Amazônia, com total adaptação ao clima da nova região, foi o maior produto de exportação da Bahia, levando fazendeiros humildes ao auge da riqueza - vastas plantações, importantes casas comerciais... os ‘nouveau riche’ da sociedade baiana. Neste Eldorado, o cultivo do cacau gerou cobiça, amores geralmente ilícitos e lutas pelo poder absoluto. Cenário do cacau /paixões de coronéis por dinheiro, mulheres e terras.../ nas obras de ADONIAS FILHO - Corpo Vivo, Luanda Beira Bahia; e JORGE AMADO - Cacau, Terras do Sem Fim, duas narrativas sobre a saga da conquista da terra e a origem social dos medrosamente respeitados ‘coronéis’; por fim, Gabriela Cravo e Canela, mudanças no contexto social e econômico na região cacaueira. Modernização de Ilhéus a partir do século XX, a cidade “Princesa do Sul” ainda pseudo colonialista-escravagista, tornando-se mais urbana e humanizada: plantio tradicional, de duzentos anos, sistema de mata cabrucada, isto é, cacaueiro sob a sombra das árvores da Mata Atlântica, responsável também pela conservação da diversidade, dos solos e das águas, da produção florestal e de sementes - óleos, resinas, flores e outros produtos não madeireiros. Em 1990, a produção sul baiana sofreu com a “vassoura de bruxa”, doença fúngica típica dos cacaueiros, que altera frutos e brotos, causando diminuição da produção ou morte do cacaueiro - forte crise inclusive em bolsas de valores. Estórias divertidas na máquina do tempo. Capitania hereditária, em 1534, D. João III doou vasta extensão de terra - vizinhança com a baía de Ilhéus -, a um donatário, Jorge, escrivão da corte real, porém este preferiu o luxo da corte e para lá enviou um déspota espanhol. Em 1556, fundação cultural (colonizadores & nativos) da Vila de São Jorge dos Ilhéus em freguesia, a região se tornando produtora de cana-de-açúcar e ganhou muitas construções, porém os índios tamoios atacaram as plantações e veio a decadência econômica: nome Jorge homenageando o primeiro donatário + Ilhéus devido à quantidade das ilhas litorâneas - neste 1556, Igreja Matriz, inaugurada pelos jesuítas, sendo a construção mais antiga da cidade, e pedaços de terra doados por Jorge a figuras importantes do reino. Em 1754, fim das capitanias hereditárias e aí surgiu o início do cacau - século XVII, chegaram as primeiríssimas e ainda arriscadas mudas de cacaueiros da Amazônia... outras virão mais convincentes. Em 1881, elevação de Ilhéus a cidade; vieram muitos sergipanos, que construíram prédios públicos, como o Palácio de Paranaguá, erguido em 1907 por um coronel do cacau (o primeiro?) sobre as ruínas do Colégio Jesuíta para servir como sede da prefeitura (se virar museu, por certo contará a estória da cidade: o cacau está no brasão do município) e belos prédios, inclusive uma cópia do Palácio do Catete, presidencial, no Rio. Bispado em 1913. --- Século XX, década de 20, muito dinheiro, luxo e riqueza! Prédio de hotel com o primeiro elevador no interior do Nordeste, e Teatro Municipal - em 1921, jantar-banquete inaugurando a casa de um coronel, cardápio em... francês /nem alemão nem latim/, pianos de cauda nas residências e nas fazendas. Perdeu-se a noção exata do ano, mas consta que o coronel mais rico das redondezas comprou um carregamento de pedras de um navio português ali encalhado, para calçar a rua em frente à matriz a fim de não sujar a barra das saias das convidadas do casamento de sua filha, dentro de alguns dias. Em 1924, início da construção do porto de Ilhéus, início local da exportação direta; presença de estrangeiros, intercâmbio cultural com a Europa, movimento de cabaré-cassinos-clubes noturnos... dançarinas-mágicos-aventureiros chegando......... Ah, JORGE AMADO, despudorado e minuciosamente descritivo! --- A alguns quarteirões da igreja, a casa do escritor, que da torre do casarão (o pai de Jorge ganhara cem contos de réis na loteria na década de 1920), terceiro andar (consta que ainda existem a máquina de escrever do primeiro romance e uma coleção da sapos, predileção de Jorge pelos anfíbios), observava o vaivém das pessoas e se inspirava para criar personagens de seus romances realistas, Gabriela tendo como matriz uma funcionária do Vesúvio, ancas largas e seios avantajados, porém ficcional a cena da subida ao telhado do bar - todo escritor sempre tem às ocultas (ou na percepção geral) uma Zélia super extra hiper colaboradora! Perto, uma praça com o bar e a Catedral de São Sebastião. Possível versão de que os coronéis do cacau levavam as esposas para assistir às missas e seguiam para o bar, com passagem secreta para o Bataclan (no passar dos anos, acabou virando restaurante) - quando acabava a missa com ladainhas de três horas, sete badaladas de sino avisavam para voltarem ao bar. A casa fora erguida em 1913 por um comerciante rico e virou bordel em meados de 1920, agitado inferninho, promovendo encontros clandestinos para todos os machos do lugar. Maria Machadão regia o “brega”, como se diz na região, com firmeza, tendo um quarto ao lado do cassino - antes do bordel, trabalhara na roça, manuseando bem o machado, daí o apelido. Jogo proibido no Brasil, último baile do Bataclan em 1949; chefona foi para o Rio, paradeiro perdido pela história. A casa pegou fogo na década de 1970, reformada em 2004. --- Em 1940/50, fim da festa folclórica, demanda por educação superior pelos descendentes dos coronéis. Na atualidade, turistas são levados a passeios pelos cacaueiros no meio da mata, frutos amarelos destacados na folhagem - cabruca, plantação no meio da floresta atlântica. O cacaueiro precisa se proteger na sombra, fruto colhido sem facão para não ferir a casca, lavado, aberto, fermentado e seco antes de ir para a fábrica de chocolate. F I M
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Comentários dos leitores

Magnífica pesquisa, excelente trabalho. De um primo viajante, ganhei suco de cacau engarrafado e geleia, que jamais vi em supermercado carioca. Parabéns!

Postado por lucia maria em 02-03-2017

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