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DIA 6. UM NAMORADO VIAJANTE



					    
Conheceram-se num dia 6 qualquer e era importante sempre comemorar. Qualquer, não, Fevereiro 6, perto de 19 horas, jamais esquecer. Festinha a cada mês. Sim, um casal que em nada se combinava e ao mesmo tempo se combinava em tudo. No mínimo em eternos desentendimentos, rotina diária. As brigas eram mais ou menos assim. Um junto do outro, caminhando tranquilos e amorosos, sorridentes e de mãos dadas, bastava que UM olhasse alguém do outro lado da rua, em minutos logo confusão armada pelo OUTRO, ‘tem-que-olhar-só-para-mim’...’mas-a-sua-cara-cu- já-sei-de memória-nos-mínimos-detalhes’...ELE falava isto; em outra ocasião ELA falava igualzinho. Cada um na sua casa, trocavam e-mails e de repente saíam quase a pauladas à distância: o que UM escrevesse, em dois tempos o OUTRO contradizia. ELE metido a macho severo, quase a chamava de idiota, ELA se ofendia com facilidade, nem idiota nem criança (meio acriançada, sim!), chamava-o de machista (e era!). Dormiam furiosos, separadamente, é claro, o adeus dele sempre “definitivo, sem volta...” e na manhã seguinte ELE pedia desculpas antes das seis da manhã e que ELA deletasse o e-mail raivoso e os maus pensamentos. Ao contrário: imprimia e arquivava tudo como prova de “típica opressão masculina, agressividade psicológica”-Lei nº 11.340/2006 (nacional) Maria da Penha. Conheciam-se há quase nove meses. Faltavam poucos dias...Tempo de decisão fatal! Aí, nesta ocasião ELE viajou mais uma vez a serviço e era ainda dia 31 no calendário daquele primeiro hotel. Halloween num clube próximo-algazarra chegou até ele, cansado, nem espiou nada. Trabalhou tanto que perdeu a noção do dia da semana e datas. Estrada de novo. No sábado, logo cedinho, olhou a parte interna da porta do quarto, regulamentos para o hóspede, enxergou dia 6 no calendário meio amassadinho, olhou novamente, confirmou e entrou em pânico. “Perdidão sem perdão- no mínimo serei esganado”. Pensou um tanto nervoso: “Digitei para ELA ontem, de outra cidade, hora do almoço conforme havíamos combinado, achei que não era o momento ainda de comemorar....Bom, ELA me mandou na hora uma rosa amarela, bonito desenho virtual, mas sem palavras.” Estava acertado que amarelo seria sempre índice de insatisfação, advertência ou briga fatal. Três opções a serem “traduzidas”. ELE não usava mais as camisas da seleção esportiva-ELA interpretaria mal, raivosinha à toa. “No mínimo zangada porque viajei sozinho.” Pior. Sem Internet neste hotel. Agora cidadezinha pequena, desconhecida, nem mesmo sabia se existia e onde era a Lan House. Sim, ELA exigia e-mail na entrada do dia festivo, primeiríssimos minutos após meia-noite do dia 5: liberdade para este horário só em casa! Não telefonou para ELA em desculpas, deveria estar louca-furiosa, ligou do celular para outra pessoa que lhe transmitiu o recado. Devolveram o telefonema com resposta malcriada. Quase pauladas. Esqueceu de procurar a Lan House. Sábado, comércio todo aberto. Correu a feira-livre, que nestas cidades pequenas costumava ser aos sábados em algumas, aos domingos em outras, todo mundo em trajes festivos, até mesmo fazendo compras. Banda de música no coreto. Sábado? Sinos tocando. Missa também no sábado? Distrações de cidade de interior. Tentou namorar, conversar com ares de turista, “moço de fora”, se divertir, mas as outras mulheres ou se pareciam fisicamente com ELA ou eram, em contraste, simpáticas e boazinhas, ou outros típicos físicos, mas o mesmo gênio demoníaco logo nas primeiras frases. Pensamento de traição ELA percebia a quilômetros, ameaçava sempre torna-lo um eunuco-usava na bolsa um canivete de dois e meio centímetros, dizia que era para cortar envelopinhos de catchup, mas em palavra de mulher não se deve confiar de olhos fechados, nunca. E às vezes o ameaça com um baixinho-reserva, dono de um carrão vermelho, teto móvel (ELA já se imaginava passeando, ares de “primeira dama”, com pequeno chapéu de sol...), e do posto de gasolina onde ultimamente ELA enchia o pneu da bicicleta todas as manhãs, logo após se digitarem com um “bom dia, meu amor”. Pensou: “ É, já estou muitas horas atraso, mesmo...ELA que fique com o anão de jardim...perfumado a gasolina.” A gordíssima proprietária do hotelzinho veio cheia de desculpas trocar o calendário no quarto-2010, 6 de novembro, sábado. “Desculpe, nunca ninguém percebeu antes, ninguém reclamou, costumo trocar no dia 31 de dezembro, este ano esqueci. Um tanto amassadinho, mas até que não está muito sujo e não tem rabisco algum.” Aí, Ele fez a conta. Dia 6, sim, mas domingo em 2011. Diria que aos domingos é Internet em manutenção e limpeza (isso existe?), Lan House fechada, levaria as compras de que ELA gostava e possivelmente estaria perdoado: geleia caseira e outros doces regionais, licor de pitanga, chinelo artesanal... Achou no mercado popular uma camisa com foto do grande “poetinha” Vinicius de Moraes, cabelos compridos, mesa de bar, copo na mão, e a clássica frase, já folclórica: “O melhor amigo do homem é o uísque: cachorro engarrafado.” Comprou duas brancas, iguaizinhas-tamanho GG e M. Uísque para si próprio: comemorou sozinho, ainda sobrevivente (até quando?), o novo dia 6. FIM
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Comentários dos leitores

Esse texto adorável já esteve aqui e, engano digital possivel (dedinho dele nervoso), desapareceu, reposto hoje. SEIS anos maravilhosos! Parabéns!

Postado por lucia maria em 05-03-2017

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