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PREGÕES DE ANTIGAMENTE



					    
Desde o tempo de JEAN BAPTISTE DEBRET, século XIX, desenhos com negros e negras, os tais “escravos de ganho”, ora vendedores ora em oferta de serviços, longe ainda de maio de 1888. Pregões de rua, algazarra viva, poética e deliciosa. Fregueses? Possivelmente a gente do Paço Imperial: nada os impedia. Tinha até o velho trovador cego em dupla com o tocador de marimba perto dos chafarizes, fartas a água e a nostalgia. João, pai, e Pedro, filho, eram religiosos e piedosos... “Vejo” neles o invisível sinal da cruz. --- Jingle, irmão caçula do pregão de rua, nasceu com o rádio e a televisão, criado pelo caricaturista e compositor NÁSSARA em 1934 o primeiro anúncio cantado: “Ai, o padeiro desta rua / Tenha sempre na lembrança, / Não me traga outro pão / Que não seja o Pão Bragança.” Isto musicado, implícita característica positiva e saborosa do produto em domicílio, comercial atraente e popular, povo não esquecia nunca. Mesmo preferindo outro pão - evidentemente mais barato, sem rótulo ou certidão da nascimento - , a famosa ‘bisnaga’ (receita francesa?)... pensavam no Bragança fora do alcance monetário. --- Uma pesquisa casual, coleção doada de recortes de livros didáticos, e achei CARLOS citando ALVARO (sem o acento da palavra proparoxítona) e EU repetindo os dois. --- O mais velho escreveu há quase cem anos... novamente num segundo livro. Relógio do mundo não pára. “Uma raça nesta terra de sol, montanhas e mar: guerreiros das tabas sagradas, portugueses descobridores, escravos trazidos da África e turistas chegantes espontâneos do mundo inteiro...” Pregões cariocas na porta dele todas as manhãs - caminhão do leite e bolo de milho quente, juntinhos-, depois nas tardes e nas noites. Alvaro amava os pregoeiros cariocas que - segundo ele - escreviam “no ar o poema da cidade”: “ - Vai frango... Vai galinha gorda...” “ - Olha a laranja suletra (seleta)... a boa tangerina... “ --- Tempo de portas e janelas abertas para a rua, ainda sem as ‘gavetas apartamentais’ lá em cima, era o ‘1,99’ da época mais fácil de anunciar e vender após o sol: o homem da loteria, ilusão deliciosa e sustentável; logo em seguida, “Sorvetinho, sorvetão! Sorvetinho de limão. / Quem não tem duzentos réis não toma sorvete não. “ --- Ainda restou na minha infância /a vida tinha menor velocidade/ quem, não exatamente saudosista como que saído da crônica jamais lida, colaborasse com a reciclagem: “ - Garraf’vezie...” - italiano que não conhecia o ‘s’ do plural, cantava trechos de ópera sob o aplauso da garotada - e outros queriam mesmo era conseguir fregueses: “ - Jabuticaba mineira (fruta preferida de JK)... mi-nei-ra...” -- “ - Vassouras... de pelo e de palha (piaçava) ” -- a barulhada metálica do soldador de panelas -- tinha o português camoniano (?) que anunciava “pixe (peixe) com cheiro de mar e de sereias (vendedor poeta?)”... --- Lembro ainda de seu Salim andando no meu bairro: “ Compro roupa velha (revendia para outros judeus muito mais pobres ainda), coisa velha e bejetos de ouro...” - consta que esse ‘bejeto’, essa palavra, tinha origem num programa humorístico de rádio, podem ter ensinado a ele, não sei, mas até hoje escuto a voz do já velho judeu fugido e sofrido de muitas guerras, para quem a noite de sexta-feira e o sábado eram sagrados, de pensar nos “anticos” (antepassados? falava assim mesmo), na “tradiçom (o que era?)”, rezar e acender velas, e não sabíamos o motivo. Ah, e havia o chinês da lavanderia trazendo lanternas coloridas de papel somente na época de festas juninas - dizia que era para jamais esquecer a terra natal e às vezes literalmente chorava - possível! --- Eram os velhos pregões do tempo dos escravos de ganho e continuadores no tempo de Alvaro e Carlos. Até a década de 70, Rubemar crescidinho, olhos e ouvidos atentos. --- Nem tudo é história ou estória antigas: hoje, a arte dos pregões é nas praias e, em complicadas e intermináveis crises políticas, nas bancas de jornais. --- Na atualidade, tempo de crise, milhões de desempregados no país blá blá blá... passam carros e através de megafone (meninos, eu ou/vi!) a mulher do motorista anuncia brigadeiros e bem-casados para chá de panelas e festas, não sei muito bem o autor da marcha de núpcias como fundo musical, som bem baixinho (judeu alemão MENDELSSOHN?), propagandista que mistura tradição e modernidade. Outros, na marra e sem nenhuma vergonha, da mesma forma, procuram... empregos, sem cantoria alguma. LEIAM meu trabalho ESTÓRIAS CARIOCAS SEM CRONOLOGIA - Parte XXVIII. NOTAS DO AUTOR: “...guerreiros das tabas sagradas” - alusão ao poema “O canto do piaga”, de GONÇALVES DIAS, poeta romântico do século XXIX. Moeda ‘cruzeiro’ surgiu somente em 1942. FONTES: Livro “A cidade mulher”, 1923, de ALVARO MOREYRA (1888/1964) - “O dia nos olhos”. 1955, mesmo cronista --- ABL, 1959, cadeira 21 // Jornal Correio da manhã”, Rio, Crônica “Rua Sonora”, 1936, de CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE (1902/1987) // Livro “No tempo de Noel Rosa”, de ALMIRANTE (compositor, 1908/1980). F I M
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Comentários dos leitores

Escutei pregões de rua numa cidade mineira quase metrópole - um fusca velho, megafone, comércio comum de guloseimas e... agência de epregos. Eternizados. Parabéns!

Postado por lucia maria em 10-06-2017

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