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ESTÓRIAS CARIOCAS SEM CRONOLOGIA-PARTE XXVIII



					    
Século XIX aqui transformador, FEIJOADA - bem cultural de exportação - um pouco mais tarde virou símbolo nacional: da capital do Império para o mundo!!! Ao início do século, relativa revolução de costumes com a chegada em 1808 da Família imperial no Rio de Janeiro, incrementando a economia, abrindo portas para o comércio estrangeiro. Mais uns 30 anos, e as casas cariocas passaram a ter mais cômodos, a moda e a etiqueta se ampliaram. Neste choque de civilizações, as casas burguesas (antes apenas quarto, salão e cozinha) aumentaram com sala de estar e de costura, escritório e biblioteca. A principal mudança foi durante as refeições, pois antes dos europeus sentavam igualmente em esteiras os senhores e os escravos, muitas vezes a dona da casa servindo os serviçais preferidos. Com os novos hábitos, agora mesa... e talheres - escravos trazendo a comida e abanando os senhores (ainda não existiam os repelentes de moscas). Ocorre que certas mesas eram tão altas que batiam no queixo das pessoas e atrapalhavam o manejo dos copos de vinho, bebida usual - os brasileiros, ainda deseducados, abusavam de gritos e murros no ar, com facas e garfos nas mãos. Entretanto, imutável o prazer da feijoada! Bom, naquele tempo era comida às escondidas pelos ricos e os estrangeiros que fingiam torcer o nariz, boca sempre aberta... Em certas “casas de pasto’ ou antigos botequins (o termo pé-de-sujo surgiu depois, com a farta migração de tamancos), instituiu-se o ‘discreto’ dia exclusivo de quarta-feira (na atualidade, sábado). Ainda não era a feijoada atraente de agora - apenas um caldo um tanto ralo com carne seca e toucinho, polvilhado de farinha de mandioca, tudo bem junto e misturado para fazer ‘bolinhas’ em consistência espessa, não se usando talheres às refeições - em família, apenas o dono da casa com uma única faca. Prova de amizade era um pegar porções do prato do vizinho de mesa, às vezes duas pessoas ao mesmo tempo no mesmo bocado - e riam... Muitos visitantes estrangeiros escreviam cartas para a Europa nesta primeira metade do século XIX, destacando-se o inglês JOHN LUCOCK e o pintor francês JEAN-BAPTISTE DEBRET, integrante da missão artística financiada por Dom JOÃO VI. O cardápio não era muito variado, sob influência da religião católica - “o que não se deve comer”: carneiro, apreciado pelos ingleses, inapropriado por ser a carne do ‘cordeiro de Deus’; banana jamais cortada transversalmente, pois o miolo lembrava (?) uma cruz. Angu era prato popular e barato, um vintém cada porção, fosse de farinha de milho ou de mandioca, água e sal, mas caros os três vinténs para escravo de bom apetite. Pejorativamente, “comida de pobre”. DEBRET era devoto guloso, chamava de “suculento e gostoso”, e pintava tudo e todos - comerciantes e a elite local se escondiam para comer. Cariocas endinheirados eram ligados ao comércio de importação, exportação e atacadista e sua criadagem do fogão passou a incrementar o angu com carne, coração, orelha, fígado, língua de porco, azeite de dendê etc. - idem foi acontecendo aos poucos também com a feijoada. Restaurantes anunciavam o dia em que o prato especial seria feijoada com os novos ingredientes (sem o azeite é claro)... Rompidos os preconceitos da elite e da classe média, ninguém mais se escondia para comer no quarto, as “comidas de pobre”, deliciando todas as classes sociais desde 1840. Quem não tinha cozinheiras de qualidade que soubesse servir “à italiana” ou “à francesa”, as alugava - muitos anúncios nos classificados de jornais. Escravas não sabiam ler as receitas culinárias, principalmente estrangeiras, mas aprendiam com facilidade. --- Na segunda metade do século XIX, já desenvolvido o Império e sofisticado o comércio, agora chegavam imigrantes pobres em busca de trabalho, no geral masculinos solteiros que dormiam no próprio local de trabalho, fossem lojas ou ‘secos e molhados’, cama improvisada muitas vezes nos balcões ou nas mesas de refeição e a comida era quase sempre... feijoada... ou tutu de feijão feitos com as sobras das panelas. --- O ‘casamento’ do feijão com o arroz (que antes era aparentada com o peixe cristão às sextas-feiras, distribuídos aos pobres pelo Mosteiro de São Bento) somente aconteceu na virada para o século XX. --- Lendariamente ou não, sem documentação registrada, a feijoada teria origem da mistura, feitas por escravos, do feijão da senzala com as partes menos nobres do gado. No Rio de Janeiro, matadouro no centro da cidade, praia de Santa Luzia hoje aterrada, muito longe para ir lá recolher as sobras......... --- Bolinho de feijoada é outra estória. Escutei sobre uma mulher mineira, nascida ao final do século XIX, que aprendera com a avó; portanto, nenhuma invenção moderna. Um pouco de feijão, as carnes bem picadinhas, couve em tiras finas refogadas, uma leve camada de farinha de mandioca ao redor das bolas de tamanho médio, fritar em gordura quente. JUNG falava sobre inconsciente coletivo. LEIAM meus trabalhos “Estórias de feijoada” I e II, e”Feijoada paulista”. NOTA DO AUTOR: A farinha de mandioca, branca e fina, é feita a partir da mandioca moída - também conhecida como farinha seca, farinha-da-terra ou farinha-de-pau. FONTE: “A vitória da feijoada” - Rio, jornal O GLOBO, 3/4/10. F I M
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Comentários dos leitores

Concordo, grande comida, embora esteja acontecendo uma ridícula campanha contra... sem lógica alguma. Adoro orelha, rabinho, pezinho. Pesquisei: cerca de 15 salgados para uma feijoada gostosa. Parabéns!

Postado por lucia maria em 25-06-2017

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