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ERA UMA VEZ...-FINAL



					    
Minha palestra em ambiente escolar: MÃE com quatro (ou mais!) filhos, conseqüente muito cansaço. Impossível contar estorinhas para filhotes dormirem. Há famílias onde é mais fácil para a AVÓ esta função - relatos mesmo sob a luz do dia, a avó dando banho, vestindo a roupa, calçando, distribuindo comida e inventando a estória do “menino que mão gostava de comer coisa alguma, encolheu tanto a ponto de ir viver dentro de uma gaiola”. Em um minuto minha irmã sugeriu gaiola de papagaio para aprender a falar como um doutor “avogal” (ELA queria dizer ‘advogado: nem sabia direito o que o personagem super falante da telenovela fazia) e apontou para mim, pouco mais velho, metido a conselheirinho........ Hoje, relatos orais são secundários, pois a garotada tem a presença constante da televisão e da Internet. De todo, a idéia de contador de estórias ainda existe, embalando o sono sonhoso de um (deste aqui?) ‘quase’ avô, ‘quase’ cinqüentão - minha voz se mistura com a dele (alter ego?!) e agora sou EU quem ensaia num futuro próximo dizer o “era-uma-vez”... ah, pessoal, “num país distante, havia um rei, uma rainha, uma princesa”......... Todo mundo já sabe. Essa expressa inicial da narrativa existe em muitos idiomas porque a fantasia é uma necessidade humana. Imaginem a cena ritualística do grupo de ouvintes ao redor da fogueira - nossos ancestrais índios, portugueses e africanos. Antes disso, num passado imemorial......... os primeiros heróis aventurosos do planeta. Desenhos rupestres (do latim ‘rupes’, rocha) nas grutas da França, da Espanha, na Ásia, no nosso Piauí... homem primitivo ‘escrevendo’ esboços de contos, estorietas e fábulas. Depois, houve Tirésias, o cego da Tebas antiga, os rapsodos gregos relataram Ulisses; o fervilhar de estórias na Mesopotânia, na Índia e no Egito - aventuras dos deuses mitológicos; e a encantadora Sherazade com suas “Mil e uma noites” do mundo árabe. A Bíblia seduziu ouvintes com Noé e a bicharada, e os conflitantes Abel-Caim, Esaú-Jacó, Lia-Raquel... Conto poético no “Cântico dos Cânticos”, Salomão à sua amada. Mais tarde, as parábolas do judeu Jesus Cristo. Há modernamente os caipiras mineiro e paulista, contadores de ‘causos’ ao som da viola sertaneja... Mini conto, por exemplo, na atualidade seria meu amigo mineiro, professor destemido a caminho de 60 anos, dizendo-se desesperado porque machucou um pé - não sei detalhes -, alguns dias sem lecionar, acamado em casa, a mulher paparicando com chazinho. Curou-se, no dia seguinte fico gripadíssimo, de cama outra vez: pijama, chinelo... - rezou muito, altar com Jesus Cristo e uma miniatura de profeta da cidade histórica de Mariana - já queria fazer testamento, mas limitou-se a um curto e-mail para mim: “Tempestade em caneca de ágata.” Mesmo sentido de tempestade em copo d’água: preocupação ou reação exagerada. (Perguntaram. Parei. Expliquei ágata - tipo de aço revestido por dentro e por fora com dupla camada de esmalte; objetos em dimensões e cores variadas, ideais para assar carne ou fazer doces, pois retêm muito calor.) Diz-se que o CONTO, narrativa curta, nasceu no Egito, “História de dois irmãos”, século XIV a. C., aproveitado depois no Velho Testamento - super estórias judaicas! -, drama de José naquele país. A origem da palavra estaria no latim ‘computum’ (conto) ou ‘commentum’ 9invenção) ou no grego ‘kóntos’. Estou vendo na plateia gente cochilando. Interrupção rápida para mini aula de latim. Neste idioma, ‘sopor’, sono profundo; daí, o derivado ‘soporífico’, certos remédios que fazem dormir......... e também certs aulas e palestras chatas. (Meu auditório às gargalhadas neste momento.) Demóstenes, grego, o maior orador de todos os tempos, percebeu jurados desinteressados no julgamento sobre a vida de um ateniense e maliciosamente sussurrou o conto de “um homem deitado à sombra de um cavalo, mas aí apareceu o dono que solicitou pagamento; dono do cavalo, dono da sombra”... O debate foi caloroso e Demóstenes recuperou a audiência. (Novo agito.) Bom, voltando. Muitos séculos depois de Demóstenes, os “fablioux” franceses (de ‘fable’, fábula) e os “troubadores” de castelo em castelo, de aldeia em aldeia, por vezes narrativas maliciosas - aventuras/desventuras de reis ou moleiros, ‘fremosas’ palacianas casadas, outras solteiras, a eterna sedução mútua ou a triunfante deslealdade feminina sobre o outro sexo. Forma definitiva do CONTO (quase ‘novella’, estilo literário pela maior extensão e muitos temas) foi armada por Bocaccio em “Decameron”, século XIV, opções de ociosidade e muito riso, origem na aguda observação da realidade. - - - - - Como exercício, distribuí papel e canetas, sugeri grupos idealizando e escrevendo pequenos contos, posteriormente digitados para exposição no mural da escola. Surpresa. Uma japonesinha fez uma reverência, corpinho frágil (com licença de Alencar, “cabelos mais negros que as asas da graúna”), pediu desculpas e explicou - “...não estava cochilando e sim meditando”. Apresentou trabalho individual independente, iniciado com... “O chá foi descoberto pelos chineses no ano 500, mil anos depois surgiu a primeiro bule, de argila roxa, na província de Jang-su, mas somente na dinastia Qing o utensílio virou obra de arte e símbolo de status” Li e fiquei pasmo. Pesquisara onde e sabia de cor? E o conto? Ah, modernizou para nossos dias “Madame Butterfly”......... Geisha universitária no bairro da Liberdade que, abandonada, não pratica harakiri, fica com a criança e ao final vira artista de televisão... Aprendi. Tempos modernos! F I M
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Comentários dos leitores

A menininha de chupeta adivinhou o futuro mandão produtivo. Fácil distinguir em você a realidade X a ficção. Parabéns!

Postado por lucia maria em 26-08-2017

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