Página inicial do portal Autores & Leitores
Quem  |  Autores  |  Leitores  |  Associados  |  Mural  |  Dúvidas  |  Contato  |     PUBLICAR    |
Entrar | Registrar
 Esqueci minha senha
Anúncio ebook Vigilante

Área dos LEITORES

Colunistas

Autores Consagrados

Quadrinhos

Bibiotecas Virtuais

Livros

Novos autores

Downloads

Lançamentos

Ofertas

Informações

Autores & Leitores  >  Leitores >  Novos

Apresentação de trabalho publicado

Caro leitor,

Sinta-se à vontade para ler este trabalho e deixar seus comentários.

Bons Textos!




< Visite a Página Pessoal de ATHINGANOI >


COZINHA TRANSFORMISTA



					    
Primeira anotação no caderno da estudante pré-adolescente. Aula de ciências.. “Na natureza, nada se perde, nada se cria, tudo se transforma.” - Lei de LAVOISIER (1743/1794, químico francês). ELA se pergunta até hoje: “Será que LAVOISIER foi também cozinheiro econômico e doceiro criativo?” Outra pergunta irrespondível: “Havia colher de pau para bater massa de bolo, porém como era o mundo antigo sem espremedor de frutas e liquidificador?” PRIMEIRA ESTÓRIA. A TIA-AVÓ e ELA, ainda garota e aprendiz, estavam experimentando uma nova receita de bolo e acharam que ficaria muito pequeno. Bom, lado a lado, sobrinha-neta dizia os ingredientes, tia-avó (sempre excelente doceira!) dobrava o quantitativo. Untaram a forma redonda, alumínio com cano ao meio, fecharam porta que dava para o quintal e começaram a assar num grande fogareiro a álcool - era costume, jamais houve falha (tabuleiro era em fogão: carvão ou lenha / gás, ainda novidade cara). Tudo na vida tem a sua primeira vez. O “bolo” não assava e sim fervia dentro da forma: algo errado. Veio a mãe da garota, conferiu, não notou nada. Veio a prima do pai, adulta, conferiu, não notou nada. O pai, rádio ligado, ouvindo corrida de cavalos (tempo de Gávea: “Dá-lhe /sempre vitorioso/, RIGONI!”)... aquele passa-passa-discute-discute feminino começou a incomodar. Foi também para a cozinha. O erro estava em que ELAS (a excelente da época e a excelente futura) não dobraram a farinha de trigo. O que fazer? As DUAS esperaram a massa esfriar, picaram, juntaram bastante vinho-do-porto e... “amado liquidificador (da prima), para que te queremos?” - aqueceram manteiga e fritaram panquequinhas. Só isto? Não. Ferveram água com açúcar, havia restinhos de “temperos”, digamos assim, cravo-canela (dupla geralmente inseparável, ciumento masculino /triângulo amoroso?/ por cima de rabanada: canela e açúcar), aniz estrelado, noz moscada, nozes moídas, gotas de baunilha, mel, um finalzinho de leite de coco, outro de água-de-flor-de- laranjeira (antes, usada em magníficos doces do Oriente Médio), algumas passas miúdas e fragmentos de rapadura, tudo liquidificado e refervido. (Anotaram depois no caderno-receituário de 200 páginas.) Iria chegar uma senhora amiga, mulher muito chique e requintada (diz-se hoje: “cheia de frescuras!”), arrumaram as panquecas e a calda numa compoteira de cristal transparente. Pior foi que na hora do lanche a amiga pediu a incrível receita da saborosa calda. A senhora simulou um semi desmaio, queda de pressão, distraiu a visitante. // Curiosamente, muitos anos depois a doceira, bem mais anosa, teve um AVC muito grave, muitos esquecimentos, misturava assuntos, confundia parentas e amigas, mas recomendava para a mulher do médico, nos mínimos detalhes, receitas de doces, e ainda explicava, ‘temporal e geograficamente’ herança milenar do século XII, receitas conventuais ou palacianas do outro lado ao Atlântico... SEGUNDA ESTÓRIA. ELA, adulta. Passou a amar pirex, potinhos e cumbuquinhas, potes e marmitas ou pratos, potões e assadeiras ou travessas. Farta coleção. Assim, retira das panelas as sobras de comida, coloca nos variados pirex e arruma na geladeira, tudo muito higienizado. Acontece que corrigira um texto de língua portuguesa e o aluno-adulto (paulista, on line, eterno resmungão) se recusara terminantemente a emendar a redação, um conto de idéia até interessante - nem era para refazer tudo. Teimou, se fez de impulsivo machista /orgulhoso Ariano!/, magoou a professora que ficou furiosa, sem ter como revidar pessoalmente. Bom, sobre a pia três pirex com arroz cozido, peixe assado, molho de camarão, leite num copo grande. “Via” o aluno esbravejante, sacudindo o papel da redação. “Gigante para mim, ELE tem 1.80, é grande, mas não é dois! Acabo com a ilusão dele de hipnotizar pessoas!” Distraiu-se /Geminiana nunca erra!/ e jogou tudo no liquidificador recém- comprado. Quem disse que “já era”? Percebeu a tempo, juntou tempero verde. Assou em pequenos pirex untados - pena que o aluno (único e... o predileto?!) malcriadão estava ausente para comer ainda quentes as improvisadas “empadinhas” que certamente ficaram muitos gostosas. Ideais (para mim?) com “suco” de cianureto bem gelado... TERCEIRA ESTÓRIA. ELA, adultíssima, fez a lista de compras onde colocara “pedaços de peru, do varejo” (peito, coxa, asa, tudo junto e misturado). Dezembro, supermercados apenas com pacotes prontos. EU não entendo de cozinha, entendo de mesa-prato-talher, mas escuto que cada pedaço da ave em geral é indicada para uma comida diferente. “ELE” (quem?) trouxe um peito inteiro. A exigentezinha logo temperou, assou, implicou sei lá com quê, retalhou tudo e acabou de assar em pedacinhos. Provou, não estava ruim, porém... Pois é. Liquidificador, peru assado, azeitonas verdes sem caroço, creme de leite, mostarda escura, gotas de azeite, água mínima... virou patê caseiro. Uma beleza sobre fatias de pão de milho fresquinho, da famosa Padaria da Esquina, crocantes após minutos no forninho elétrico. Nessa tarde, EU, o comprador atrapalhadinho, pensei ser patê industrializado, aprovei: ELA pediu para registrar num conto. F I M
Copyright ATHINGANOI © 2017
Todos os direitos reservados.
Este trabalho já foi visitado 23 vezes.

ENVIE este trabalho para um(a) amigo(a). ESCREVA para ATHINGANOI.

Comentários dos leitores

Essas tais empadinhas de sobras são especiais numdomingo: não sair de casa e lanchar sabores misteriosos criados no liquidificador. Coragem para comer! Parabéns!

Postado por lucia maria em 27-08-2017

COMENTE ESTE TRABALHO, DIZENDO QUAL FOI A IMPRESSÃO QUE ELE LHE CAUSOU.





AJUDE-NOS a manter o bom nível deste portal!

Se você achou que este texto é ofensivo, imoral ou que fere
a nossa POLÍTICA DE USO, por favor, AVISE-NOS!




Autores & Leitores
  • Copyright A&L © 2005-2013
  • Todos os direitos reservados.