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ESTÓRIAS DE FEIJOADA-PARTE III



					    
FEIJÃO com ARROZ ou ARROZ com FEIJÃO? O FEIJÃO do carioca é preto; paulista prefere marrom. Alguém sabe convictamente explicar por quê? Os cariocas preferem o FEIJÃO preto, talvez herança da corte imperial no Brasil, comida de origem nas senzalas e as mucamas trouxeram para a cozinha dos palácios a saborosa comida. Os paulistas possivelmente herdaram um prato básico dos antepassados, transportadores de mercadorias em lombos de animais desde os tempos coloniais, uma mistura que dispensava aquecer: FEIJÃO, ARROZ, torresmo, lingüiça, ovos e temperos. ----- Nomes científicos: FEIJÃO - Phaesolus vulgaris L. - ARROZ - Oryza sativa L. ----- No Japão, o FEIJÃO simboliza proteção e exorcismo, afastando os demônios e mantendo o mal à distância. No Oriente e no Ocidente, o ARROZ simboliza abundância e felicidade. ----- No Brasil, geralmente “amigos” juntos: FEIJÃO e ARROZ. ----- Li recentemente curiosa pesquisa: 1 - Qual deles colocar primeiro no prato? 2 - Em termos de quantidade, mais FEIJÃO ou mais ARROZ? 3 - Refeição mais úmida ou mais seca? 4 - Ah, e a farofa... Como preferem: junto da dupla famosa ou somente como recheio de aves ao forno? ----- E no “VOCÊ SABIA?” da revista feminina, explicação sobre a FEIJOADA de feijão preto: bem temperada e com um mínimo de 7 salgados (carne seca, lombo, bucho paio ou lingüiça defumada, toucinho, pezinho, orelha, rabinho, garganta... a perder a conta), comida predileta de OGUM, orixá-rei dos metais e dos caminhos, e de OMOLU/OBALUAÊ, orixá da doença, da cura e da renovação, que é mais modesta e aceita feijão preto,desde que seja bem temperado,apenas com pé de porco. ----- Comida criada na senzala?! Carnes menos nobres doadas aos escravos? Pois sim... Fora da hora da chicotada, muito branco e muita branca deviam “visitar” a senzala ‘por acaso’ exatamente na hora do almoço.. (Leitor não duvide!) “Siô / Siá quer provar?” Por certo já levavam da casa-grande, às escondidas, o prato de porcelana de Sèvres, ignorando que (usada no século XXI em restaurantes granfinos) o melhor vasilhame para a feijoada é feito de barro, modernamente cerâmica vitrificada. ----- EU ainda não experimentei a legítima feijoada carioca - assim múltipla e farta, não. FEIJÃO preto cozido com os salgados, travessas de ARROZ, couve cortada fininha refogada, super farofa no capricho e pedaços de laranja por cima ou rodelas de banana ou abacaxi. Dispenso a “abrideira” quase obrigatória: cachaça com limão ou ‘caipirinha’, como chamam na Cidade Maravilhosa. Depois, não dispenso uma rede na varanda (ou na laje?) ao som de violão, reco-reco e pandeiro......... Sambinha, samba ou sambão? ----- “...morena boa que me faz // Uma estorinha bem típica do Rio de Janeiro. Em casa de pobre, sempre juntos FEIJÃO & ARROZ. A senhora criava duas netas com muita dificuldade. O ordenado da filha com empregada doméstica era ‘subnutrido’. Pai bombeiro alegou um grande incêndio na Capital Federal, foi ajudar e sumiu nos braços de uma (parece piada) “ruiva fogosa”... Casa própria do tempo do sogro, embora humilde, tudo muito gasto , e comida não se acha na esquina ou nos coretos dos jardins da praça suburbana. Às vezes a filha ganhava, em bom estado de usáveis, roupas de adulto (nada fácil recortar, diminuir e cozer novamente...) e trazia sobras dos granfinos - quiche de gongorzola, atum fresco em maionese, creme de aspargo - mas criança não valoriza o que não conhece (uma colherada, vá lá), prefere mesmo “o FEIJÃOZINHO cheiroso da vovó”, bastando um pedaço de carne seca (bem picada, somente para dar gosto), e de vez em quando lingüiça e toucinho entremeado ainda com a pele grossona... Tentou profissões onde não era esperta nem expert: costureira, doceira, cabeleireira, manicure, entregadora de folhetos publicitários de mão em mão, balconista de roupas femininas, vendedora de cosméticos de catálogo. O outro genro chamou para ajudar no armazenzinho de periferia, como os de cidade do interior - grande variedade: cereais, óleo, latarias, ovos, queijo, linha e agulha, lápis, querosene (até hoje, há candelabros em ruas sem luz e fogões antigos em casas de gente pobres de hábitos... “tradicionais”) etc. etc. etc., principalmente o balcão de cachaça... ----- Salário magro ----- Às vezes ele dava um quilo de FEIJÃO, um quilo de ARROZ. Acontece que estes armazéns estocam os cereais em gavetões verticais para venda a varejo. Aí, ‘vó’ VIRGÍNIA - morrendo de vergonha - resolveu, discreta e assim como quem não quer nada, imitando uma ratinha que aparecera no quintal com dois filhotinhos, ora leite do peito, ora farelos de ARROZ, num clássico “o que não mata, engorda”, costurou uma saia larga com dois grandes bolsos laterais e estabeleceu para si mesma: ARROZ à direita, FEIJÃO à esquerda. Um punhadinho de vez em quando... Ih, durante semanas deu certo. Só que, numa conversa sobre futebol no balcão da cachaça, discutia-se posição dos jogadores e alguém gritou a expressão “ponta esquerda”, a mão dela novamente cheia de ARROZ (nesse dia realizara ‘caça’ aos grãos alvos e negros desde cedo!), estímulo e resposta imediatos (eta, PAVLOV!), como soldado que obedece incontinenti ao sargento irritado e irritadiço, colocou os grãos menores no lado esquerdo; outro cidadão deu um soco na mesa e gritou “ponta direita”, FEIJÃO retinho saiu da mão da senhora instintivamente para o lado direito. ELA parecia um robô - perdeu a noção de quantidade discreta e mínima, a discussão nada de acabar, os dois homens passaram a gritar simultaneamente “esquerda”, “direita”, atrapalhou-se toda, achou que pegara bem um quilo de cada cereal, bolsos gordos, saia pesadíssima, ora percebia ora se confundia, misturando sempre. Anos depois, em reunião de família, o genro contou que sempre soubera, mas fazia vista grossa. Na época, cursava Faculdade de Direito e descobriu três frases que se encaixam perfeitamente: “Fames magistra.” - A necessidade é mestra. “Aliquando bônus dormitat Homerus.” - De vez em quando, o bom Homero dorme. “Nesciat sinistra quod faciat dextera tua.” - Não saiba a mão esquerda o que faz a direita. NOTAS DO AUTOR: PORCELANA DE SÈVRES - Criada em 1756, tempo do rei Luís XV. Igualada à porcelana de Saxe, criada esta graças à descoberta do caulim,que por sua vez originou-se da porcelana chinesa, tradição milenar entre os remotos séculos VI e VII. LOUÇA DE BARRO - Conhecida na Europa como “terra cotta”, um dos mais antigos cerâmicos empregados pelo ser humano na preparação dos alimentos desde o tempo das cavernas e posterior apresentação à mesa. Destaque para pratos, potes e travessas feitos pelas mulheres artesãs ceramistas de vários estados brasileiros. LEIAM meu trabalho “Feijoada... paulista”. F I M
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Comentários dos leitores

Comida de carioca no mínimo de segunda a sexta - família, casa, quartel ou escola. Domingo, admite-se feijoada completa. Parabéns!

Postado por lucia maria em 08-09-2017

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