Página inicial do portal Autores & Leitores
Quem  |  Autores  |  Leitores  |  Associados  |  Mural  |  Dúvidas  |  Contato  |     PUBLICAR    |
Entrar | Registrar
 Esqueci minha senha
Anúncio Autores & Leitores

Área dos LEITORES

Colunistas

Autores Consagrados

Quadrinhos

Bibiotecas Virtuais

Livros

Novos autores

Downloads

Lançamentos

Ofertas

Informações

Autores & Leitores  >  Leitores >  Novos

Apresentação de trabalho publicado

Caro leitor,

Sinta-se à vontade para ler este trabalho e deixar seus comentários.

Bons Textos!




< Visite a Página Pessoal de ATHINGANOI >


PORTUGUESES" E PUBLICIDADE-PARTE II



					    
Meu primo chegou da Capital (mein Goten!), a poucos quilômetros da minha cidade interiorana, porém bastante evoluída, e trouxe um vocabulário diferente. “Apareci de repente, sem ser visitante cometa caixeiro-viajante/ e, ao contrário, não vim vender e sim comprar, talvez andando com você por ceca e meca /andar muito, aqui e ali em busca em busca de alguma coisa/. “ Bom, o ‘andar por’ me deu pelo menos uma noção de espacialidade. Criticou. “Você mora onde Judas perdeu as botas /num lugar muito distante, geralmente sem conforto/ e nesses alturas não sabe da missa a metade /estar por fora/. Ou tenho que pregar em outra freguesia /falar em outro lugar ou com outra pessoa/?” Ele nunca foi religioso, será que alguma desventura o deixou assustado e lembrou dos tempos de coroinha? “E não tem uma quitanda /biscoitos, doces/ para me oferecer? Quem é a teteia /encanto.../ da foto na parede?” Preferi não responder. Escolhi discreção e silêncio, tentando memorizar o que de fato EU não entendesse. Sou bom leitor da Literatura Brasileira e recordei vagamente da linguagem antiga, apenas não localizei na memória, de imediato e exatamente, em AZEVEDO, ALENCAR ou MACHADO. Ah, noção temporal - palavras, expressões que não se usa mais. Em verdade, o falar evoluiu com os costumes, os novos hábitos de vida, a criação de objetos que não existiam... A jeans moderna e o celular avançado o salvou (nos salvaram) de vexames maiores nos lugares onde circulamos. “Três namoradas (confessou)... Ainda sou um cabrito 9rapaz muito jovem, da minha idade?) janota /elegante/. Fazer sempre um pé-de-alface /paquerar, namorar/.” Tomara chá em criança /recebera educação, mas por causa delas vivia metido em camisas de onze varas e em calças pardas /estar em grandes aflições e dificuldades, estar na pior/. Perguntou onde era uma botica /farmácia/ que tivesse um bom carmim /batom de corante vermelho vivo/ e vidro de cheiro /perfume/, precisava fazer um bom sortimento /estoque de compras/. Uma senhora muito idosa espirrou, e o falso erudito, além de beijar-lhe a mão, saiu-se com uma frase latina, ‘Dominus tecum’ /o Senhor esteja contigo/, e me piscou um olho - a senhora emocionou-se, disse que seu velhinho descansara há um ano... /eufemismo para a desagradável ideia de morte, suavizada com a ideia de descanso/, teve defluxo coriza/, depois constipação /resfriado/ e veio a imperdoável phtysica /tuberculose/; suspirou, o marido sempre lhe falava assim... Saímos. Depois ele quis ver um alfarrabista /sebo, quem coleciona ou vende livros antigos, sem serventia aparente/, comprar balas de alteia /de goma, jujuba/ e em seguida iríamos ao cinematógrafo /cinema/. Linguagem de ontem, arcaísmos palavras que saíram de moda, ninguém emprega mais e poucos conhecem. Chamou a bilheteira de mademoiselle, palavra empregada no passado para designar jovens da alta sociedade, or influência da dominante cultura francesa, considerada então como um modelo de finura requinte de educação - hoje saber inglês é uma necessidade vital. Larguei-o na escuridão. Aquela conversa estava me irritando mais do que deixando curioso. Tocou campainha á meia-noite em ponto, abri a porta bocejante, usando apenas uma ceroula curta /cueca de algodão/, ele arrumou a bagagem e deu às de Vila-Diogo /foi embora, fugiu/ sem agradecer e justificar-se. Ao amanhecer, li e-mail com uma única frase: “Você foi um bom laboratório.” A mãe super protetora, minha tia, telefonou dias depois e agradeceu a maravilhosa hospedagem de vários dias. Vários? Por certo, ela ouvira o galo cantar sem saber onde /emitiu opinião sem entender, sem conhecer o assunto/. Deixei-a, coitada, sem comer o pão que o diabo amassou /sofrer terrivelmente/, não a melindrei /não magoei ou ofendi com facilidade/. Pesquisa de linguagem para um concurso literário. Mas garanto que meus CONTOS e CRÕNICAS o cretino jamais leu! Ahn... F I M
Copyright ATHINGANOI © 2017
Todos os direitos reservados.
Este trabalho já foi visitado 13 vezes.

ENVIE este trabalho para um(a) amigo(a). ESCREVA para ATHINGANOI.

Comentários dos leitores

Ele fez uma pesquisa linguística e você não tinha como desconfiar. Parabéns!

Postado por lucia maria em 08-09-2017

COMENTE ESTE TRABALHO, DIZENDO QUAL FOI A IMPRESSÃO QUE ELE LHE CAUSOU.





AJUDE-NOS a manter o bom nível deste portal!

Se você achou que este texto é ofensivo, imoral ou que fere
a nossa POLÍTICA DE USO, por favor, AVISE-NOS!




Autores & Leitores
  • Copyright A&L © 2005-2013
  • Todos os direitos reservados.