Página inicial do portal Autores & Leitores
Quem  |  Autores  |  Leitores  |  Associados  |  Mural  |  Dúvidas  |  Contato  |     PUBLICAR    |
Entrar | Registrar
 Esqueci minha senha
Anúncio Autores & Leitores

Área dos LEITORES

Colunistas

Autores Consagrados

Quadrinhos

Bibiotecas Virtuais

Livros

Novos autores

Downloads

Lançamentos

Ofertas

Informações

Autores & Leitores  >  Leitores >  Novos

Apresentação de trabalho publicado

Caro leitor,

Sinta-se à vontade para ler este trabalho e deixar seus comentários.

Bons Textos!




< Visite a Página Pessoal de ATHINGANOI >


CASAMENTOS...PERFEITOS?!...



					    
ESTÓRIA 1 LATARIAS E OUTRAS EMBALAGENS 31 de dezembro de2015. Sozinha em casa, não tendo a quem recorrer... Quase meia-noite, embora no horário de verão, e de repente a rolha plastiquinha quebrou, presa parcialmente no gargalo da garrafa de sidra gelada. Por sorte, mais duas garrafas prevendo dificuldade (abriu uma só!) de outra marca na despensa e ELA conseguiu “bebemorar”... sozinha... A garrafa entupida permaneceu sobre a pia a espera de um qualquer cavalheiro de mão forte, quase bruta de estrangulador (dias antes, sonhara com a infeliz Desdêmona). Mais um mês, o filho de uma amiga veio trazer algo (o quê mesmo? esqueceu.........) , viu a garrafa, perguntou, foi informado, ofereceu-se para abrir, mas a fulana antecipou que beberia sozinha, o rapaz em dois segundos achou o caminho da rua. Entrou 2016, entrou 2017. Aquela exata garrafa cheia, na geladeira. Ih, embalagens cada vez menos práticas. Propaganda enganosa de melhorias. Quanto mais inventam, pior fica. Anel de metal corta dedo ou arrebenta ao ser puxado e para terminar de abrir a lata só pedindo ajuda a faca e martelo ou usar o abridor tradicional no metalzinho cada vez mais duro... A tampa de rosca continua enroscada... “abrir” na marra, quebrando o vidro? (Ah, e se for cereja ao maraschino?) Pacotes de biscoito com aquela tirinha vermelha, falibilíssima e esfarelenta, precisam ser abertos usando-se tesoura... Certos lacres não vedam totalmente as caixas de líquido, porém teimam em permanecer presos à cartolina e ELA não consegue retirá- los de forma adequada. Fez compras no supermercado , muitas sacolas, chamou um táxi. Conversa vai, conversa vem, motorista ‘quase’ atrasado para as aulas noturnas (de quê?), porém colocou as sacolas mais pesadas na varanda. Despediu-se, beijo no alto da cabeça dela que arrastou as compras para dentro. Por acaso ou de propósito, carteira de universitário justamente na sacola das dificultosas latarias... Nenhuma verdade fantasiosa. Quarto ano de Direito. Carentinho? Alto. (Pegar objetos no segundo andar do armário do quarto ou trocar lâmpadas sem escada.........) Não a encantou assim de se derreter apaixonadamente em meio segundo nem seduziu na hipnose, porém a-gra-dou. E muito. Recíproca. (Ou ELE beija todas as passageiras?) Amanheceu. Campainha. Era ELE. Surpreendeu-a no ato de tentar abrir uma caixa de leite - molhou-se toda e também o chão da cozinha - ao lado, uma lata de sardinha. ELE riu (rir é ‘perigo’ para o gênero masculino), ofereceu-se para ajudar, veio manhãs seguidas, trocaram embalagens diversas por potinhos-potes -potões plásticos de geladeira e freezer, a caixona de leite na prateleira para todas as manhãs. Olhou melhor as mãos dele. Gostou. Pré-dispostas. Grandes e quentes. Brutas e suaves. Muito além de apenas abrir certinhas as embalagens erradas. Casaram num tempo curto. Harmoniosíssimos. FONTE (para inspiração): “Embalagens que ameaçam a segurança e testam a paciência” - Rio, jornal O Globo, 29/3/15. ------------------------------------------------------------ Estória 2 ELES, ELAS E... (talvez) “OUTRAS”... 1---Jornal de farta circulação no país. “Correio afetivo - Não fique só! Homens e mulheres íntegros, responsáveis, cultos. Todos os bairros e nacionalidades. Namoro, compromisso, união. Alguém espera você.........” Em seguida, número de um celular. 2---ELA 1 (psicóloga especializada em gente madura e idosos) arranjou um emprego extra, alternando os dias de cérebros tumultuados que ‘pagavam muito bem’ com um biscate mal remunerado, porém bastante divertido - entrevistar e cadastrar candidatos a relacionamentos amorosos. Inicialmente um apelido, nome verdadeiro só no segundo dia. Marido, surdo para o que a mulher lhe dizia, não se interessou nem perguntou o novo endereço; na verdade, Ariano à frente do mundo, desinteresse menor pelo que acontecia além do seu próprio umbigo. Entendeu, alienado, que ela agora também trabalharia numa agência de empregos (?), ‘contato’ - só memorizou esta palavra - entre patrão e futuro empregado, qualquer coisa assim. Bom capitalista, só pensou em “oba-dois-empregos-mais- dinheiro-entrando-quero-especialíssimo-presente-no-dia-8-de-abril”... Quando ele criava situações ridículas de egoísmo, esposa aplicava a famosa ‘moral da estória’ e repetia contar uma fábula grega, animais procedendo como seres humanos. //// ELA 2 (professora de português e literatura) corrigia textos e crônicas que o marido - legalmente casadíssimos no civil - escrevia; na verdade, além de musa, na maioria das vezes era quem dava dicas e ele escrevia o texto grande, raramente meia página impressa. Muitas vezes alterava para bem melhor. Acrescentava idéias, uma pesquisinha em nota no rodapé, sem a menor intenção de co-autoria. Casos familiares, lembrava estórias antigas, muitas de que apenas ouvira falar, situações em escola, imprevistos na rua, acidentes e incidentes, recortes de jornal e revista, constante ‘contato’ - ele fingia implicar, porém adorava que a mulher fizesse isto - da tagarelice com as mais variadas pessoas em ambientes diversos. Bom pensador, só imaginava que “as-doideiras-dela-geram-para-mim-excelentes- produtos-literários”. Quando ele criava situações ridículas de ciúme, como pegá-la educado pelo braço e afastá-la nada discreto das pessoas, ou perturbava muito, esposa ameaçava - que deixasse outra na fila de espera porque um dia poderia se encher e requerer divórcio. “Qual é mesmo o número desta lei?” //// ELE 1 (dono de um restaurante) em casa não fritava um único ovo, embora excelente cozinheiro, especializado em... tudo! Colecionava em papel A4 digitações de receitas que, não escondia, guardava do jeito como aprendera com uma senhora da família da mulher, tudo rigorosamente separado em sacos plásticos de arquivo e arrumados por ordem alfabética numa caixa de papelão: à frente, bebidas, em seguida, arroz, aves, biscoitos-docinhos, bolos-tortas-pavês, hortaliças (etc. etc. etc.), terminando em tortas salgadas. Somente 3 livros intocáveis - receitas japonesas, outras da baiana de um cantor famoso e outras da mãe mineira de um frei famoso. Cozinha paulista variada, então eram receitas difusas, não confusas, na tal coleção. Sabia de cor e ensinava, sem esconder nada. O que pretendia ali? //// ELE 2 (metalúrgico) achava que, Ariano, era o rei e todos os vassalos deveriam lhe prestar homenagens sem esperar nada em troca. Quebrou a cara com uma esposa que possuía uma faca serrilhada capaz de cortar embutidos congelados e queijo duro como pedra - excesso de imaginação de quem trabalha em serviço pesado e escreve ficção, textos doces nas horas vagas. Dizia odiar a data 8 de abril, mas anualmente ansiava pelo bolo de aniversário, único dia do ano em que ingeria álcool, rápida golada de champanhe porque morria de medo de ser castrado, como o filósofo Abelardo que amou Heloísa... num tempo muito antigo. Abria o pacote de presente com a ansiedade da criança abrutalhada e amorosa que nunca deixara de ser. Tempo ruim de fabricar seus próprios brinquedos com caixotes desmontados ou meias velhas que viravam bolas. Era feliz em sua arte! 3---Bom, na tal agência, a recepcionista ELA 3 atendia os telefonemas e marcava dia e hora para as entrevistas. Havia uma saleta de espera, uma única entrada para homens e mulheres, logo separados discretamente por um biombo dobrável estilo japonês, com desenhos orientais. ELA 2 apresentou-se à psicóloga e explicou a finalidade, muito simples: inspiração naquele ambiente para textos do marido e falou rapidamente sobre ele - áspero para esconder emotividade. ELA 1 achou interessante, de imediato concordou e sugeriu que a outra voltasse ao mesmo lugar de onde escutaria alguma coisa, deixaria aberta a porta da sala - era um tanto distante, não escutou quase nada porque os entrevistados eram em maioria tímidos, mais gestuais, e falavam muito baixo. Como fazer? O que duas mulheres juntas ‘não’ fazem? (Na verdade, ou se amam ou se odeiam...) Arrastaram da parede o armário-estante e a curiosa se instalaria ali atrás num banquinho. 4---Entrou um cidadão qualquer. CYRANO, alto, bom corpo, caça jeans azul claro, óculos escuros como único disfarce, foi o tempo mínimo de dizer “Vi o anúncio...” e a luz faltou, em inesperado e incrível ribombar de trovões e chuva pesadíssima. Sem lanterna ou vela, claridade apenas vindo da rua, psicóloga experimentada propôs uma entrevista oral de que memorizaria tudo. Deixasse o telefone em caso de dúvida na hora da digitação. O cara se apresentou como indo fazer ‘tantos’ (esqueceu da escuridão, ‘mostrou’ com o dedos) anos exatamente daqui a uma semana (era 1 de abril), solteiro, largado, sozinho, alguém lhe recomendara a agência e estava ali para arranjar uma esposa. Trabalhava numa empresa sanguessuga, muitas vezes com horas extras até mesmo sábado. Refeições fora de casa, não tinha quem cuidasse dele, quem lhe fizesse um café antes das 6 da manhã, quem passasse suas roupas. Quem (falou mais alto nesse momento) principalmente corrigisse erros gramaticais em certos trabalhos literários que produzia. “Mas o senhor quer uma esposa- empregada ou uma professora?” Ele não esclareceu. Disse que era muito envergonhado e não sabia como abordar pessoalmente uma mulher. Caseiro, um ‘quase’ santo... Partindo da idéia feminina de que “coincidência não existe”, ELA 1 teve uma ligeira intuição, fez algumas perguntas básicas, escutou tudo, despachou o cara rapidinho, prometendo ligar para ele assim que descobrisse uma mulher adequada. A luz voltou e ELA 2 desaparecera. //// Em casa, ELE 2 encontrou sobre a mesa da sala a famosa faca serrilhada, mulher já dormia no quarto trancado quando ele chegou da faculdade noturna, futuro advogado, e sobre o sofá um lençol sujo, saído do grande vasilhame de roupas para lavar, nenhuma coberta neste início de outono, um velho travesseiro sem fronha e um bilhete “VIRE-SE” - julgou- se um carentinho inocente que não (não mesmo???) fizera nada errado naquela noite na hora da chuva, no centro da cidade. Bom, mulher Geminiana é bipolar, talvez mudasse ao acordar. Pela manhã, por acaso ela acordara às 5 horas para o pipisório - houve café, leite, iogurte, suco de abacaxi, sobra de bolo. (O narrador aqui não sabe se o ‘adoçante’ foi cianureto ou pesado purgante.) E beijinho dela na porta da rua, agora faltando seis dias para o aniversário dele. 5---Folga da escola, celular é dádiva dos deuses, ELA 2 acertou com a nova amiga que poderia substituí-la nesse dia, ELA 1 a trabalho no consultório - recepcionista ia de segunda a sexta, atender telefone e outros serviços, não ficaria sozinha. //// Entrou um cidadão qualquer, SENHOR DE BERGERAC, grandalhão, distraído com um avental respingado de molho, terrível cheiro de ovo, óculos enormes totalmente verdes, talvez um disfarce. A mesma coisa. Mesma necessidade de arrumar uma nova esposa; a de casa misturava Freud com Charcot, Lacan, Jung, Klein, depois falava de lobos e cordeiros, e rãs e bois, e onças e gatos (traduzindo - Esopo...) - ou estaria ficando maluca ou o preparando para um breve divórcio. Trabalhava pesado, faculdade noturna de Nutrição e Gastronomia... e só levava ‘paulada’ (simbólica?) de uma mulher bipolar. Um dia flor e no outro espinho, um dia Joana-Mártir, no outro dia Joana Guerreira... ELA 2 não teve ligeira intuição, teve certeza mesmo. AMBAS de 30 de maio??? Disse ‘delicados’ horrores para o cliente. Que eram degenerados, egoístas, ele e o marido dela /improvisada entrevistadora/ - mesmo signo de ‘carinhosos rudes’... Blá blá blá... O cara tentou se defender... “É que a minha mulher é Geminiana e.........” ELA 2 citou Vinícius: “......... que seja infinito enquanto dure” - e para selar a paz ofereceu a ele a receita do pudim de ovos. Conhecia! “Pudim de origem portuguesa, século XII” - palavras dele. Riram. Disseram juntos, coro não ensaiado: “Onze gemas, um ovo inteiro e gotas de essência de amêndoas amargas.” 6---A mesma sobremesa no jantar a dois, em casas diferentes, na terça- feira, dia 8. F I M
Copyright ATHINGANOI © 2017
Todos os direitos reservados.
Este trabalho já foi visitado 23 vezes.

ENVIE este trabalho para um(a) amigo(a). ESCREVA para ATHINGANOI.

Comentários dos leitores

Estou precisando de UM faxineiro, empurrador de móveis pesados, abrir delatas etc. E marido que nunca ouse se dizer solteiro, abrindo vaga. Parabéns!

Postado por lucia maria em 23-09-2017

COMENTE ESTE TRABALHO, DIZENDO QUAL FOI A IMPRESSÃO QUE ELE LHE CAUSOU.





AJUDE-NOS a manter o bom nível deste portal!

Se você achou que este texto é ofensivo, imoral ou que fere
a nossa POLÍTICA DE USO, por favor, AVISE-NOS!




Autores & Leitores
  • Copyright A&L © 2005-2013
  • Todos os direitos reservados.