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CASAIS CASADOS



					    
ESTÓRIA 1 EU (personagem, não o narrador) era - anda sou! - casado... com ELA... e ELA comigo.  De repente, ELA cismou de conhecer o “tal de motel” de que tanto ouvia falar (modernamente, diz-se “casa do Tel-mo”, troca de posição das sílabas, código em eufemismo...) e nunca EU levara.  Cismou porque cismou, queria porque queria...  “E daí?  Se você não me levar, arranjo outro que leve......... “ Jamais contestar Geminiana!  Expliquei que não era nada muito fora do comum - hotel rodízio com muitos quartos e camas de casal.    “Só?  Então, que graça tem?”  Respondi quase agressivo, incorrigível Ariano selvagem:  “A graça do sexo que......... ora, sexo...  Parece até que você nunca fez.”  “E as pessoas vão lá para quê?”  Minha paciência é curtíssima  “Ora bolas, para fornicarem. Ou porque são solteiras e não podem fazer onde moram ou um deles é casado, par clandestino...”  “Em que é diferente de um hotel comum?”  “A excitação, a ansiedade.  Em certos motéis, há às vezes decoração mais  sofisticada, uma ou duas paredes na cor vermelha, cama redonda ou que sacoleja (ELA gritou:  “O quê???”), espelhos grandes, banheira, geladeirinha, uma bebidinha mais forte, camisinhas plásticas.........”  E veio a pergunta  mais forte: “E o sexo é igualzinho ao........ daqui de casa?”  Não consegui responder, ELA rindo com cara de doce anja  colegial... sabidíssima.  Levei-a numa tarde de sábado, após minha aula de Direito Previdenciário.  Marquei que fosse me esperar numa determinada esquina, centro da cidade, perto de uma livraria.  Meu carro enguiçara e o gerente, em situação de emergência, me emprestaria um fusquinha antigo (minha mulher conhecia e amava tal modelo, “tartaruguento reumático”, na linguagem dela), super-hiper-extra “lata velha” restaurada.  Amar um carro?  Ficou feliz com a dupla notícia:  motel e o carrinho.  (Tem boas lembranças, diz que era bem menina, o pai teve um, não sei, prefiro não indagar demais...)  Só vi quando ELA meteu a mão na porta de um carro e entrou rapidinho.  Porta ainda aberta, outra mulher se aproximou, esticou o braço e iria agredi-la.  Percebi tudo numa fração de segundo, EU parado logo atrás, buzinei, abri a porta e gritei o nome dela...  A mulher estranha me olhou espantada e minha mulher veio ao meu encontro, ainda confusa.  Os carros, incrivelmente iguaizinhos - mesmo verde claro, aparentemente “novos”.  O homem ao volante, parecido comigo, um tanto sósias, inclusive com o mesmíssimo óculos de sol.  Esclarecido o qüiproquó, de imediato entenderam, muitos risos...  Sim.  Mais adiante emparalhamos, ELE se debruçou sobre a mulher e gritou para quebrar a tensão:  “Estamos indo a um motel.  Somos casados e ELA cismou de conhecer -  cismou porque cismou, quer porque quer...  Jamais contestar Geminiana!   Ameaçou chamar qualquer outro, se EU não a levasse.” Carros lado a lado, a moça nos sorriu, constrangida.   ESTÓRIA 2 Dois dias antes ELA pesquisou - só poderia ser feriado estadual...  E teve as 24 horas da véspera para um maquiavelismo.  De nome, conhecia “O doente imaginário”, de MOLIÈRE - não conseguiu achar o resumo na Internet.  Mulher teimosa não desiste nunca.  Quarta-feira, o Bonecão em casa e ELA amanheceu - tadinha! - muito vermelha e com febre...  Vermelha como?  Fosse maquilagem, rosto perfumado e mancharia fronha ou lençol.  (“Ah, se o abajurzinho falasse...”)  Doente de quê?  Virose súbita, tipo ‘dá-e-logo-passa’?  Não sabia explicar.  Dores no corpo inteiro...  Tosse esporádica.  A escolher o programa do dia de folga.  Haveria futebol de amigos em cidade próxima, declararam mesmo:  “Sem mulher alguma espiando...” - e o almoço musical no sindicato não muito longe de casa.  ELA ficou tão triste que até chorou...  Fui sozinho à Padaria da Esquina.  A saltitante em casa - balconista estranhou, depois sorriu e desejou melhoras.  Pão marrom fatiado, queijo branco cremoso, sorvete de (sabor movo - onde e quando ELA descobriu?) a-mo- ra para o lanche da tarde.  O ‘inimigo’ na calçada.  ELE jura que não é nada ciumento - “bom dia” ao jornaleiro italianado para o qual toda a mulherada se derrete...  Só por que recita DANTE de cor?  Prometeu a si mesmo decorar na íntegra certos poemas amorosos (ou eróticos?) de MANUEL BANDEIRA - só sabia frases soltas...  Esvaziou a caixinha de leite, ferveu, ainda bem que usavam café solúvel, queijo no pão.  Ah. e geléia de morango também.  Amassou um papel vermelho, arredondou nos dentes de um garfo, ajeitou num copo de vidro verde agora ‘vaso’ e levou a estranha ‘rosa’ para a dodoizinha, numa bandeja, com a refeição matinal.  Em minutos, a coitada adormeceu,  Levantou-se estonteada, chuveiro bem quente, colônia de jasmim e dormiu novamente.  ELE estudou processos, folheou livros e apostilas, fez pesquisas da faculdade de Direito, ligou-desligou a tevê, olhou-a na cama algumas vezes, já quase sem febre - parada, quietinha. doce anjo de camisolão de cetim azul, bem comprido.  Ajeitou-lhe o travesseiro, uma coberta leve, sem tocá-la.  Pediu almoço por telefone, explicou, não podia ser com muito sal ou gordura.  Dois peixinhos cozidos, legumes.........  Mulher doente pode comer pudim de leite?  Pediu.  Tão fraquinha, mas achou ridículo dar-lhe colheradas na boca.  Baixinha, miúda, mas não uma criança...  A palavra “criança” o assustou.  Será?  ELA teria dito.  Riu de uma anedota... sem graça.  Bebê nasceu ajaponesado (castigo para quem?) porque a mulher grávida teve enorme desejo de toma saquê e marido abstêmio não comprou.  (Italianado de olhos verdes, não, né?)  A febre cessara.  Ficaram abraçadinhos no sofá e assistiram a dois filmes - o meloso-romântico para ELA, muitos jardins, borboletas, um cavalo branco, muito carinho... um complicado para ELE, filme de macho, mistura brutal de homem da caverna com ficção científica futurista, alienígenas fluorescentes, aparelhos  voadores, explosões, um rei (bom, usava uma coroa), três esposas... mas a de casa estava muito fraca para opinar, reclamar, criticar.  Sorvete derretido, cremoso, não faz mal.  Um colocando a colher de sobremesa, entre risos, na boca do outro.  Bem se diz que “rir e o melhor remédio”.  Sem perceberem, o céu escureceu.  Devoraram as sobras do almoço, lembraram fatos engraçados e riram muito.  ELE tentou ensinar um jogo de baralho (campeã num torneio escolar), ganhou dela todas as partida.  Contente, a mulher em momento algum se indignou, protestou.  “Muito submissa hoje, huuummm, aqui tem coisa - marido pensou sem se aprofundar no teorema.  Aprendera com a mãe - “Nosso homem pode não ser o rei (general, no quartel da roupa verde), mas não custa colocar-lhe a coroa.”  Chamou-se.  “Venha, meu rei.  Hora da cama.”  Sorriu e piscou o olho esquerdo, senha, lado do coração.  Marido cerimonioso:  “E a sua febre?”  Mulher distraída:  “Febre?  Que febre?”  (Desejo impossível - feriados  estaduais quinzenais.)   ESTÓRIA 3 Marido de aluguel.  Apareceu a “novidade” (novidade?)  na telenovela......... porém estes serviços já existiam e passaram agora a existir em muito maior quantidade.  Vizinhos.  ELA, uma enrolada de primeira, apenas achava chiquérrima a independência (no dicionário, palavras no gênero gramatical feminino: “liberdade,  autonomia, emancipação”... - quem disse isto?) de morar sozinha;  ELE, um enrolador de primeira, apenas não profissional do “ofício” citado, embora mexendo ou justamente porque há anos lidasse com máquinas... que não usam saias nem sofrem de TPM.  Morria de medo de trocar bujão de gás, arriscou chamar, vizinho lado a lado, o cara veio.  A escada tremeu.  Como trocar a lâmpada queimada?  O coitado veio.  Uma folha de papel digitada escorregou para baixo de um móvel pesado.  O Gigante fortudo veio, apenas esvaziou pela metade, empurrou ‘facilzinho’ (pensamento dela).  Fez compras no supermercado, na porta de casa o taxista mudou o preço acertado, pediu um preço exorbitante, por sorte ELE ia passando, aquela figura ostensiva de chamar a atenção “do mundo” (pensamento dela), o homem imediatamente se desculpou, bastavam 5 reais (“Só?” - ELA deu 10), tinha sido “um desagradável” engano.........  Passou a tocar a campainha dela às 6 e meia da manhã, saindo para o trabalho.  “Está precisando de mim para alguma coisa, algum serviço?  Fez pudim de gemas ontem?”  Num outro dia, ELE levou camisa vermelha para ELA pregar botão.  Num outro dia, pediu orientação sobre como organizar livros numa estante larga que vai do chão ao teto. Em poucos dias, ELA se ofereceu para corrigir textos dele, contista cheio de idéias, um tanto vazio de minuciosas regras gramaticais, ELA especialista - muitas broncas (ELE inteligente, professor e doutor advogado, ah, fingia dúvidas somente para irritá-la):  “Não explico além de três vezes.”  Convidou-o para acompanhá-la a uma festa - secretamente queria exibi-lo, mas não seria decente falar.  Ah, mas quando ELA começou a conversar na rodinha de amigos, todos gênero masculino, em poucos minutos ELE a pegou nada discreto pelo braço, justificou que ELA estava muito “cansada” (adorou o gesto de “macheza ciumística”), o carro no estacionamento, beijou-a no alto da cabeça ajasminada, silêncio total no carro e levou ainda  cerimoniosamente para a casa... dela.  Entrou.  Reação foi bater com a porta na cara dele.  Pensando bem, estavam parecendo MARIDO e MULHER.  Casaram de verdade um mês depois.  Gatão bruto e Ratinha suave, contraste harmônico. F  I  M  
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Comentários dos leitores

Emocionantes estórias. O machão bobão & a pilantra esperta. Marido bom reúne força e intelectualidade, mas sempre em função da Ratinha de casa... Quando será o próximo feriado? Parabéns!

Postado por lucia maria em 21-10-2017

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