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BRASILEIRO ADORA UMA FESTA-PARTE II (cont.)



					    
     Muitos anos desde a peregrinação dos personagens SFEPHEN DEDALUS e  LEOPOLD BLOOM pelas ruas de Dublin, cidade obsessão do autor JAMES JOYCE, celebrados em “ULISSES” hora a hora, os monumentos, as ruas e os bairros em pormenores meticulosos.........  Mesmo vivendo exilado em outros países desde os vinte anos, as características de sua raça permaneceram:  inquietude, rebeldia imaginação e humor crítico - contra o sectarismo (partidarismo ferrenho) e o provincianismo.  Dédalo, pai de Ícaro, criou o labirinto e se tornou prisioneiro da própria criação;   DEDALUS em ULISSES” e JOYCE tentaram evadir-se do ‘labirinto Dublin’, sendo que o escritor conservou memórias.  Mesmo liberto da cidade, ela estava sempre em suas obras, fossem contos (“DUBLINERS”, por exemplo, romances (aqui repetiu certos contos) ou peças teatrais, em todos os trabalhos o autor incluindo e caricaturando quem o injuriara ou duvidara de seu talento.  (“Doce e justa, muito justa, justíssima vingança” - diz minha nada suave AMIGA carioca.)      SÍLVIA BEACH foi a amiga e protetora de JAMES JOYCE que publicou “ULISSES” em Paris, 1922, e a principio achara a obra provinciana, mas logo percebeu nela um “pequeno-grande” microcosmo - um mundo dentro de outro mundo, uma sociedade universal.  JOYCE via na arte uma epifania - iluminação, revelação divina, aparição:  reis magos maravilhados com a estrela de Belém, daí peregrinos, e a peregrinação dos personagens. Essências separadas, na quinta-feira, 16 de junho de 1904. (Sob o signo de Gêmeos, sob a proteção de Mercúrio, que também vivia ”pra lá e pra cá”, o tempo todo...)      O autor irlandês fora brilhante aluno jesuítico, mas sua estética era miscelânica, reunindo tomismo, naturalismo e simbolismo, inclusive simbolismo eclesiástico que surge em “ULISSES” numa paródia de missa.      Os 18 capítulos de “ULISSES” são os 18 cantos da “ODISSEIA” de HOMERO, poeta grego - manhã e o despertar de Dedalus (...) manhã de Bloom (...) Bloom nas ruas de Dublin (...) Molly recebendo um amante (...) Bloom enamorando-se de uma jovem na praia (...) Bloom e Dedalus num bordel (...) monólogo interior de Molly.      Sobre o variadíssimo estilo,   no tempo e no espaço, há pastiches (imitação de fragmentos) de autores de textos muito antigos, como o egípcio Livro dos Mortos, sugerindo o crescimento de um feto no ventre materno, e do século XIV;  também alusões à Bíblia, ao Talmud, à Cabala e ao Zohar, que inclui sacrifícios, banho, enterro... também refeições, defecação, vista a museu e biblioteca, citação de livros;  música variada no episódio das sereias - rondó, stacatto e outras;  figuras de linguagem na redação de um jornal - metonímia, quiasma, anáfora, sinédoque etc.  Grande exuberância de palavras aglutinadas, tipo “pédemeia” e “sedosorvalhado”, com dispensa de vírgulas e hífens.  O começo do capítulo 14, origem num hino entoado por sacerdotes de Roma, é bastante musical, espécie de ladainha petitória - episódio escrito por JOYCE em mil horas, no qual os personagens visitam a maternidade, o estilo reproduz a gestação e a evolução... da própria língua inglesa, com aproveitamento da crônica elisabetana, passagens num inglês antigo aliterativo e monossilábico, variantes do idioma e até versos de pé quebrado.          A dimensão criadora de JOYCE está no monólogo interior, após fontes de pesquisa que incluiu Shakespeare.  Nada censurável, pois muitos autores sempre fizeram (inclusive  William & mitos gregos) e farão isto (inclusive EU), ir a um porto seguro anterior:  “stream of consciosness”, corrente de consciência, experiência imediata provocando a lembrança pessoal de outra análoga, no dizer de William James, filósofo do empirismo radical.  (Para Jung, recordações de mitos e motivos rituais é a psicologia do inconsciente ou o inconsciente coletivo.)  O monólogo interior (precedendo Bergson, Freud, Jung e outros) é uma associação de idéias, sentimentos e todos os elementos conflituosos da mente humana - angústias, obsessões, libido e tendências neuróticas.  Ao final, o monólogo interior de MOLLY (Penélope) BLOOM:  uma “frase” de 40 mil palavras (contra 2500 em outra pesquisa que EU fiz) sem pausa nem pontuação, episódio que começa e termina com a palavra “sim”, reveladora da personalidade exuberante de MOLLY, o próprio JOYCE o considerando um episódio obsceno.      Protagonista principal, LEOPOLD BLOOM - um judeu apátrida, incompreendido, racionalista engajado, profeta sem auditório, marido corno, pai frustrado, relativa indigência cultural - reflete o microcosmo de Dublin, ambos como símbolo da Irlanda, esta a espera de redenção, por sua vez símbolo da humanidade discriminatória.      JOYCE, escritor essencialmente metafísico, “ULISSES” é a narração simbólica da longa odisséia do homem e de suas angústias através do absurdo da vida.  Aparente obra sem unidade, mas sintética, reconciliação dos princípios de unidade e diversidade, o “eterno retorno”.. do homem e da história:  “ULISSES”, visão metafísica do homem.  JOYCE edificou a ordem no caos.      Reza a lenda que a primeira “festa” do BLOOMSDAY, celebração anual do romance “ULISSES”, aconteceu em 16 de junho de 1954 (cinqüentenário:  permissão para que EU diga número bonito!) quando um grupo de literatos irlandeses bebeu e leu trechos do livro, estória ocorrida entre a manhã desta data em 1904 e a madrugada seguinte, o cortejo começou cedo, na torre à beira-mar (primeiro capítulo) até o baixo meretrício da cidade, ao término da noite.  A tradição curiosa é motivo de festa no mundo todo.  Com fama de “difícil”, temos apenas três versões brasileiras, trabalhos hercúleos  Quanto às comemorações em nosso território, séries de leituras e palestras, aulas abertas, saraus... e uma sessão do filme RETRATO DO ARTISTA AINDA JOVEM, adaptação do romance homônimo de JOYCE.      “Entrada franca é um super prêmio!!!” - repito-as, porém não me responsabilizo nunca pelas palavras de minha AMIGA carioca. LEIAM meus trabalhos BISCOITO DE “UM TEMPO PERDIDO”, “CALENDÁRIO MOTO- CONTÍNUO - I, II e III”, “ESTÁ EM MODA FALAR DE MEMÓRIA? - I e II” e “TÚNEL DO TEMPO”. HQ - URBANO, O APOSENTADO, de A.SILVÉRIO - No mercado, ele se revê criança ante a demonstradora de alimentos, moça jovem, boné e rabo de cavalo.  Ela:  “Aceita mais um?”  Ele:  “Claro!”  Ao lado, a amiga Marlene, ar de seriedade;  na parede, cartaz “Biscoito da vovó”. ----- Na pracinha, saudoso, se vê garoto segurando saquinho de Cosme e Damião...  Aos amigos, sentados no banco:  “Este doce de abóbora tem sabor de infância...” ----- Na pracinha de sempre, Marlene em aspecto do jovem, onomatopéias de bater na porta e ouvi-la abrir - TOC!  TOC!  TOC!   NHEEC!  Desenho das notas musicais...  “Eu te amo, Otávio Euzébio!”  Rádio-gravador: “Também te amo, Maria Eduarda!” Ela, agora mais velha, explica ao amigo:  “Sempre volto no tempo quando ouço uma radionovela...” ----- Ele baú na mão, sorridente:  “Maria!”  Serviçal já sabedora da nostalgia:  “Raios!  O baú devorador de tempo!  Estou ocupada.  Não posso ficar olhando as suas fotos antigas novamente.”  Cara enfezada e continua batendo massa de bolo, onomatopéia da máquina R R R. FONTES: “Ulysses:  a jornada de Bloom e Dedalus em 16 de junho de 1904”, de Olympio Monat - SP, Suplemento Literário do jornal O ESTADO DE SÃO PAULO, 30/6/74 --- -- “Um dia na vida de um herói ordinário”, de Guilherme Freitas - Rio, jornal O GLOBO, 16/6/12. F  I  M
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Comentários dos leitores

Literatura famosa. Eternizados Joyce e Proust, em cada minuto das nossas memórias particulares. Parabéns!

Postado por lucia maria em 02-11-2017

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